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Quer se tornar líder? Nova pesquisa desvenda as 5 competências essenciais

Bru Fioreti

17/05/2019 04h00

Confiar que não há barreiras para o sucesso e fazer já seu plano de carreira: duas das chaves para aumentar as chances de chegar à liderança (Foto: PEXELS)

A gente sabe que ainda hoje o abismo de cargos de liderança entre homens e mulheres é enorme. Em 2017, o percentual de mulheres líderes representou apenas 25% no mundo todo. Também temos ciência de que isso decorre de uma série de distorções e crenças machistas acumuladas por anos e que estão até a última gota embutidas na cultura organizacional das empresas.

Mas do ponto de vista do comportamento individual, há algo a fazer para combater a disparidade de gênero e criar atalhos para chegar a cargos de liderança? Não diria atalhos, mas, sim, há valores e habilidades que parecem aumentar as chances de crescer e nos sentimos mais satisfeitas com a carreira.

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Os insights vieram de um recente levantamento feito nos Estados Unidos com 230 pessoas, liderado pela consultora Tammy Heermann, vice-presidente sênior de prática de transformação de lideranças da Lee Hecht Harrison (LHH). Os resultados estão sendo usados globalmente pelo programa "Impulsionando Mulheres na Liderança", coordenado por Mara Turolla, gerente de desenvolvimento de talentos da LHH. 

Na própria pesquisa, mais de 80% dos entrevistados disse perceber que o desenvolvimento das mulheres era um ponto crítico no negócio, mas menos de 30% estavam satisfeitos com as iniciativas para este fim. Por isso, foram levantados dados que incluíam a cultura da empresa, os comportamentos de cada profissional e as práticas organizacionais.

Aqui na coluna, o foco são os comportamentos e os valores mais frequentes entre as líderes. Segundo o levantamento, 5 são unânimes — e são eles que, a seguir, viraram dicas de carreira para você que quer subir de cargo.

1 – Faça um plano de carreira e fale sobre isso

O que foi observado é que as mulheres mais satisfeitas com suas posições nas empresas tinham se planejado para isso! O tal do plano de carreira — que nada mais é do que definir um objetivo, os passos para chegar lá e acompanhar o processo — tem sido mais feito por homens do que por mulheres historicamente.

Mas não basta fazer o plano, tá? É preciso contar para mais gente, angariar aliados, que podem se tornar de mentores a parceiros em projetos. Falar estrategicamente sobre os seus planos não pega mal, ser ambiciosa não é ruim! É assim que a gente aplica o popular "ninguém faz sucesso sozinho".

Dica prática: fazer um plano de carreira não precisa ser necessariamente ter o nome do cargo e o prazo para atingi-lo na ponta da língua, como era antigamente. Se a ideia de criar um planejamento for muito distante para você, comece por imaginar o objetivo como uma espécie de projeto.

Que projeto de carreira você gostaria de completar em um ano? O que precisa fazer na prática, no dia a dia, para chegar lá? Coloque isso numa linha do tempo, com ações mês a mês. Não é nenhum bicho de sete cabeças e já dá um belo norte.

Escolha bem as pessoas com quem pretende compartilhar seu plano. Uma ideia é começar apenas pedindo feedbacks do que fez até agora e, se sentir abertura, conselhos a esses superiores.

2 – Destrave e entenda o poder da autopromoção

"Mulheres bem- sucedidas sabem como admitir suas qualidades e conquistas, explicar como elas agregam valor à organização, e pedir oportunidades para crescer e progredir", diz Tammy, no texto da LHH. 

É o avesso de esperar que seus resultados falem por você — seria lindo, mas não é assim na prática. O pior é que, acometidas que somos pela Síndrome da Impostora (já falei dela aqui), muitas vezes achamos que demos sorte, que nem foi tão bem feito assim ou, pior, que vai pegar mal falar bem de si mesma. É ou não é?

Isso se agrava quando vem a hora de pedir uma promoção. Se você nunca comunica o que faz, é claro que se sente insegura em ir de uma hora para a outra pleitear um aumento. Construa esse caminho e não tenha medo de mostrar que consegue e que quer a chance quando vir uma oportunidade.

Dica prática: entenda que a capacidade de comunicar o que faz hoje é tão importante quanto a execução em si e que isso não diminui em nada a qualidade do que fez, pelo contrário! Comece criando uma lista dos últimos resultados que trouxe para o lugar em que trabalha e escreva do lado como na prática "promoveu" essa informação, se é que o fez.

Há ainda algo que possa fazer para levar os créditos? Qual vai ser sua estratégia para deixar isso mais claro na próxima reunião ou no relatório dos resultados?

Destrave a fala sobre si mesma ainda em oportunidades informais, como pausas para o café, contando sobre algo que acabou de dar certo.

3 – Desenvolva suas habilidades de influenciadora

Calma, ninguém está falando sobre influência digital, embora esta seja uma ferramenta utilíssima em vários ramos de atuação. Somos todas influenciados em potencial e, de acordo com a pesquisa, essa é uma habilidade essencial em líderes femininas, que encontram dificuldade para convencer quem trabalha nos níveis superiores, especialmente homens.

Para não ser engolida numa situação assim, é preciso estar confiante e treinada.

Dica prática: é o básico do coaching, tanto para atletas quanto para executivos, mas lá vai: treine o que for fazer exaustivamente até que fique automático para você. Essa técnica aumenta a autoconfiança, porque ajuda na leitura dos diferentes cenários e "limpa" o discurso, torna-o mais assertivo e coerente.

Outra técnica de persuasão sobre a qual já falei aqui é o rapport, a capacidade de espelhar o comportamento do interlocutor por meio de expressões, de gestos.

Cuide ainda da imagem que quer transmitir dependendo de quem for encontrar. Cores, shapes de roupas, cada escolha conta para transmitir uma imagem adequada aos seus objetivos — não venha dizer que isso é futilidade, somos todos "letrados" visualmente, e a primeira impressão é causada em cerca de 7 segundos. Perder essa oportunidade pode ser o equivalente a perder um negócio.

4 – Aprenda a delegar mais

Claro que para ter posições com mais responsabilidade é preciso aprender a delegar, e é isso que as mulheres do estudo faziam: deixavam sua agenda mais voltada a questões estratégicas e repassavam tarefas burocráticas, com prazos e metas bem claros. Isso de estar atolada não é uma qualidade esperada das líderes. Você não precisa estar até o pescoço de trabalho para subir, precisa saber administrar as demandas com inteligência.

Dica prática: comece por saber absolutamente tudo o que faz no dia a dia. Parece banal, mas muita gente não tem a exata noção da quantidade de tarefas que executa em um dia de trabalho e muito menos de quanto tempo leva para cada uma.  Passe de um a três dias anotando tudo e você flagrará os padrões e o que anda roubando seu tempo.

É comum que passemos muito tempo resolvendo coisas pequenas e menos importantes, embora aparentemente urgentes, e deixando as "macro" para depois.

É o avesso do comportamento de uma líder!

A partir do seu levantamento de tarefas, liste todas as que poderiam ser feitas por outras pessoas ou deixadas de lado (acredite, haverá).

O perigo é cair no microgerenciamento, querer saber todos os detalhes do andamento do que delegou… Se perceber que está indo por esse caminho, policie-se. Talvez ninguém faça tão bem quanto você, mas se for você a pessoa a fazer sempre, a tarefa nunca sairá do seu colo e não sobrará espaço para as maiores, que seu novo cargo vai demandar.

5 – Melhore suas crenças sobre o sucesso

Não se trata de negar a realidade sobre a qual falei no início do texto: sim, existem disparidades; sim, as mulheres ainda têm muito menos espaço, sofrem preconceitos, são menos consideradas para cargos superiores. Mas as pesquisadas com cargos mais altos tinham "diferenças sensíveis em seu pensamento. Elas acreditavam que não havia barreiras para si mesmas". É como se tivessem se blindado mentalmente, sabe?

Dica prática: comece a trabalhar suas crenças limitantes o quanto antes, porque é um processo contínuo. Leva tempo para trocar o mindset fixo (a crença de que as coisas são como são e pouco podemos fazer para modificá-las) pelo mindset de crescimento (segundo o qual podemos desenvolver quaisquer habilidades e quebrar barreiras que não imaginamos).

Esse "trabalhar as crenças" tem a ver com trazê-las à tona, escutar a si mesma quando diz que algo não é possível e se perguntar: "calma aí, por que não?".

É uma atitude mental, que pode soar clichê para alguns, mas que, segundo os dados mostram, se traduz em confiança e resultados práticos na carreira.

Tem mais dicas sobre como trabalhar crenças e comportamentos para lideranças femininas nesta entrevista com a expert em Psicologia Positiva Flora Victoria, que publiquei aqui na coluna.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.