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Bru Fioreti

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Você mais confiante e feliz: lições da embaixadora da felicidade no Brasil

Bru Fioreti

2008-03-20T19:00:01

08/03/2019 00h01

"Nunca se encolha diante dos desafios", aconselha Flora Victoria, a maior autoridade em Psicologia do País (Foto: Divulgação)

Confiança e felicidade: se você não desejar isso, vai querer o quê? Foi pensando em se aprofundar nessas necessidades básicas humanas que Flora Victoria começou a estudar um tema até então desconhecido no Brasil: a ciência da Psicologia Positiva. Isso aconteceu no início dos anos 2000, quando fazia a transição de uma bem-sucedida carreira executiva para empreender no ramo de coaching, também incipiente por aqui na época.

De lá até ser considerada a embaixadora da felicidade no Brasil foram anos de cursos internacionais e a superação de desafios como sua natural tendência à introspecção.

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Hoje, as credenciais de Flora Victoria são reconhecidas mundo afora: fundadora da Sociedade Brasileira de Coaching, é mestre em Psicologia Positiva aplicada pela UPENN (Universidade da Pensilvânia, um dos berços dessa ciência), especialista em felicidade e florescimento humano e autora dos livros "Semeando Felicidade" e "Florescimento na Prática".

Sua postura é confiante e seus planos, ambiciosos: pretende apresentar projetos que impactem a felicidade no Brasil à ONU.

O caminho para isso está sendo traçado: ela já está em Miami para participar do World Happiness Summit, o maior evento do mundo dedicado a estudos sobre a felicidade, a foi convidada para representar o Brasil no lançamento do World Happiness Report, que será realizado no dia 20 de março, Dia Internacional da Felicidade, na sede da ONU, em Nova York.

Neste que é considerado o Mês da Mulher e da Felicidade, conversei com Flora sobre sua trajetória, os desafios da satisfação profissional para as mulheres e pedi dicas para cultivar a felicidade no dia a dia.

Como começou seu interesse por estudar a felicidade? 

Começou junto com o meu interesse pelo coaching, na década de 1990, quando estava trilhando a minha carreira como executiva na Volkswagen. E, como o coaching é muito focado em metas, a meta maior acaba sendo a felicidade.

A Psicologia Positiva conheci quando li o livro "Authentic Happiness", do Martin Seligman, em 2002, em uma das minhas viagens aos Estados Unidos. Percebi que ali encontraria os pilares para nos tornarmos felizes e que isso traria para o coaching um embasamento positivo muito importante.

O que fez a grande diferença na vida da Flora profissional ao longo dos anos?

Foram três pontos: a exposição a contextos de negócio importantes, o uso das características de influência e de forças de caráter e os relacionamentos positivos.

1) Experiência. Comecei a trabalhar muito nova, aos 13 anos, e fui uma das primeiras executivas da Volkswagen. Fiz uma carreira brilhante lá, liderando projetos entre Brasil e Alemanha. Depois trabalhei com a implantação das telecomunicações no País, entre Brasil e Estados Unidos, e em paralelo estava fundando a Sbcoaching, começando uma empresa do zero e trazendo a Psicologia Positiva para cá. Então, tive muita experiência e exposição a contextos importantes de trabalho.

2) As características que tenho. Sou uma Alpha muito forte: 98% de forças em Alpha estrategista e quase 90% em visionária (porcentagens baseadas no Alpha Assessment, teste de competências de liderança). Tenho visão e planejo, empreendo. Também conheço e uso minhas forças de assinatura: a persevarança, que é uma força de coragem para realizar tudo o que sempre visionei, e a perspectiva, que envolve transformar sabedoria em aplicação prática (as forças de assinatura são mapeadas em outro teste, um dos mais famosos da Psicologia Positiva, que você encontra aqui). Considero que um dos meus principais papéis é traduzir o que há de mais novo na ciência de uma forma simples e aplicável.

3) Relacionamentos. A minha parceria de mais de 30 anos com o Villela (da Matta, com quem é casada e de quem é sócia), a relação com os meus mentores, os parceiros daqui e internacionais, os coaches que trabalham conosco… As pessoas fazem toda a diferença.

Qual a maior limitação que superou para chegar à posição atual?

Uma das grandes limitações que tive que superar foi que a de preferir o mundo da introversão. Ou seja, eu prefiro o mundo das ideias e poucas pessoas para recuperar minhas energias. Tive que superar isso para subir ao palco e dar treinamentos para centenas de pessoas. Hoje já sou uma extrovertida adaptada, passei por esse processo para chegar à posição atual.

Como embaixadora da felicidade, conta pra gente: o que faz a SUA felicidade, qual a aplicação de tudo o que sabe sobre isso no seu dia a dia?

A felicidade não cai no colo, tem que decidir ser feliz! E tem que praticar: é como aprender algo novo, vem da prática.

Hoje sou muito feliz porque tenho um senso de propósito forte, a certeza absoluta de que tenho o papel de contribuir com as pessoas, de transformar o Brasil num país melhor, de impactar o mundo. Vou estar na ONU no dia 21 de março, o Dia Internacional da Felicidade. Para mim, foi uma imensa alegria quando recebi o convite para estar lá no lançamento do World Happiness Report, porque a ONU faz parte de um dos meus planos de longuíssimo prazo: apresentar um projeto que impacte o Brasil e o mundo.

Outra coisa que me faz feliz é estar no controle da minha vida, usando meus talentos e forças para cumprir meu propósito, além de ter pessoas competentes e especiais comigo.

Sou também muito focada em realizações e conquistas, tenho metas e procuro atingi-las consistentemente e achar os caminhos para chegar lá. E finalmente trabalho as emoções, agradeço todos os dias as oportunidades e os recursos que tenho.

Então é isso: decida, pratique os pilares fundamentais da felicidade. Tenha senso de propósito, se engaje com a sua vida, busque suas metas, tenha emoções positivas, bons relacionamentos e, acima de tudo, evolua constantemente, empreenda todo o tempo e se torne uma pessoa melhor a cada dia.

Afinal, o que é ser feliz profissionalmente?

É amar o que você faz, fazer tudo muito bem feito, com competência e se sentir a melhor profissional da sua área. Contribuir com o meio ao seu redor, com o sistema do qual faz parte. E ter pessoas boas à sua volta.

Que lições tirou da sua carreira e que poderia compartilhar com outras mulheres?

A mais importante para mim é: nunca se encolha. Em todos os problemas, desafios, dificuldades que passei, a primeira tendência era me encolher. E sempre buscava o oposto, que era me expandir por meio da perseverança, da criatividade, do senso de propósito. Isso me ajudou a superar todo e qualquer desafio ao longo dessa jornada. Não se encolha jamais, brilhe, assuma quem você é, coloque suas metas e alcance-as!

Você observa diferenças na maneira de conduzir a carreira entre homens e mulheres? Se sim, pode nos dar algum conselho?

Existem, sim, diferenças. Homens geralmente são mais competitivos e agressivos, mas não é uma regra. Se puder dar um conselho seria: não se preocupe com isso! Não use como desculpa, não se apoie nisso. Faça metas claras, seja assertiva, comunique suas conquistas, busque seu espaço, galgue as posições que deseja. Se for competente, vai chegar aonde quer!

Você teria dicas ou etapas para atingir a felicidade profissional?

Vamos lá:

  1. Supere-se a todo momento. Procure evoluir e ser melhor a cada dia.
  2. Engaje-se com a sua vida! Esteja no controle dela, se envolva em tudo o que faz pessoalmente e profissionalmente. Use suas forças e talentos.
  3. Tenha uma missão, um senso de propósito muito forte que te guie a superar as dificuldades.
  4. Vivencie emoções positivas. Não espere que coisas boas aconteçam para sentir as emoções! Sinta as emoções por decisão própria. Emoções como amor, alegria, interesse, gratidão, entusiasmo. Decida: hoje quero estar mais amorosa, mais alegre, mais entusiasmada…
  5. Procure ter objetivos claros, metas desafiadoras de curto, médio e longo prazos. Aprenda a fazer suas listas de metas e traçar os caminhos para chegar lá. Se não sabe fazer isso bem, contrate um coach, é a melhor coisa a fazer.
  6. Cultive relacionamentos positivos. Encontre pessoas que te apoiem, que tenham valor, que adicionem para você e você para elas. Aproxime-se de pessoas com as quais valha a pena conviver e que contribuam com as pessoas à sua volta.

Esses tópicos são os pilares do "Projeto Semear", que é a tese do meu mestrado na UPENN, e usei mais de 300 fontes bibliográficas para chegar a esses seis pilares fundamentais para a gente ser feliz.

Tome essa decisão de ser feliz e pratique coisas simples, como metas de desenvolvimento. Fazer uma meditação de 5 minutos todo dia, encontrar pessoas que possam te ajudar e que te inspirem, praticar a gratidão todos os dias… São coisas simples para aplicar as seis dicas acima.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.