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Mentir no currículo dá demissão! Veja como turbinar seu CV sem correr risco

Bru Fioreti

17/07/2018 05h00

Na semana passada, uma notícia deve ter ativado um incômodo frio na barriga de muita gente que andou dando aquela exagerada no currículo nos últimos anos. Cinco funcionários foram demitidos por justa causa no interior de São Paulo quando a empresa constatou que seus certificados de conclusão do ensino médio, apresentados na data da contratação, eram falsos. Eles tentaram recorrer, sem sucesso.

E não foi um caso isolado, não: como noticiou o UOL poucos dias atrás, muitos advogados trabalhistas consideram a decisão uma tendência quando se trata de mentir em algo que seja representativo para a contratação. Ou seja, se a verdade fosse exposta desde o início, o profissional não seria contratado.

O problema é que a pessoa desempregada e desesperada para se destacar num mar de currículos acaba achando que este “recurso” é a única solução — mesmo que ninguém goste de admitir, a prática é comum. Aquela “aumentadinha” nas habilidades  parece inocente, mas, como o próprio noticiário mostra, deixou de ser vista como tal.

Para quem busca um emprego, fica a pergunta: como fazer seu currículo ter mais chances de ser visto — e aceito — sem cair na armadilha da mentira?

Ninguém falou que ia ser fácil… Mas é possível se destacar! Caprichar no currículo é sobre saber editá-lo bem, não sobre mentir (Foto: Pexels)

Existem técnicas para isso, claro, uma porção delas. E aproveito para lembrar você que está chegando agora ao meu blog, de que a jornalista que vos escreve é também coach de carreira e trabalha com profissionais que buscam recolocação ou transição profissional (mais sobre mim aqui).

É desta experiência de mercado e de anos em que atuei como gestora na área de comunicação antes do coaching que tiro algumas das dicas a seguir:

1. Repense o layout do seu currículo

Óbvio que o conteúdo do currículo importa mais que a forma, mas se esta for tão descuidada a ponto de deixá-lo fora da disputa, não vai adianta muito ser um poço de cursos finalizados e bons empregos no passado, certo? O que estiver no CV não vai nem sequer ser visto…

Há vários formatos disponíveis na internet, mas se for resumir aqui em uma regra, ela seria: quanto mais simples, melhor. Uma generalização, sem dúvida, porque existem áreas que aceitam versões mais artísticas — e, para estas, você encontra modelos e referências no Pinterest.

Se não for a sua praia, opte pelo simples, evite poluição. Pense que o recrutador está lá, com a vista cansada, e seja generoso no layout, opte pelo que houver de mais “clean“. Repense o excesso de “caixa alta”, ou seja, de letras maiúsculas, que deixam o visual cansativo. Diminua também os grifos e fuja das fontes cheias de firulas.

Para aplacar a insegurança, sugiro mostrar a pessoas em quem confie, de preferência do seu segmento de atuação. Peça opinião, pergunte se o visual lhes parece limpo e se dá para entender o que você já fez de bom e pretende profissionalmente.

2. Cuide do assunto e do corpo do e-mail que enviar

Há quem tenha o maior cuidado com o documento do currículo em si, mas dispare o dito-cujo para uma lista imensa sem pensar no que está no e-mail. E ainda reclama que não tem retorno…

Não quero ferir os sentimentos de ninguém, mas o recrutador também tem todo o direito de classificar quem tem essa postura de mandar currículos para tudo e todos como “só mais um” ou até spam, e dar prioridade a quem teve o cuidado de descobrir o nome dele e personalizar a mensagem.

Ah, como vale pesquisar quem vai receber o e-mail, chamar a pessoa do outro lado pelo nome e mandar uma mensagem polida, que soe menos “automática”.

Quando você demonstra que conhece algo sobre a vaga, a empresa ou anda tem uma recomendação ou referência de alguém lá dentro, suas chances sobem muito. Vale a pena “gastar tempo” com essa busca pelas pessoas que têm o poder de contratar você.

Se for currículo para uma vaga específica anunciada, sugiro especificar isso no assunto e reforçar, sucintamente, no corpo do e-mail, colocando-se à disposição para fornecer mais informações ou ser entrevistado. Se for um tiro no escuro, dependendo da área, dá para tentar um assunto mais específico ou criativo — só de fugir do assunto “Currículo” você já se destaca. Currículo para que área? De quem? Você consegue mais.

Sem contar o problema do erro de português no assunto e no corpo do e-mail. Uma tolice, todos somos passíveis de errar na digitação… Mas se você quer muito a vaga, releia antes de enviar, toma pouquíssimo tempo.

3. Customize objetivo e o que mais for possível

Assim como personalizar a mensagem de envio de currículo pode fazer com que ele se destaque na caixa de entrada alheia, escrever um objetivo específico para a vaga que busca tende a demonstrar empenho e foco.

Claro que você não vai mentir sobre seu objetivo só para ajustá-lo, muito menos forjar qualificações que não tem colocando um viés diferente — as dicas deste texto são para evitar mentira, afinal! O que dá para fazer é, sim, deixar mais evidentes as habilidades e experiências que forem pertinentes para aquela vaga ou empresa.

Uma forma de fazer essa adequação é detalhar as atribuições que tinha no emprego anterior e que têm tudo a ver com a nova posição que quer ocupar, trazer sua prática como diferencial.

A ideia é facilitar o entendimento de quem recebe o e-mail, comunicar melhor, tentar fazer por ela ou ele a conexão entre a suas qualificações e a vaga que precisa preencher.

Tente se perguntar:

  • meu currículo está adequado a esta vaga?
  • o que posso fazer para deixá-lo mais atraente e específico sem cair na mentira?
  • se eu recebesse esse currículo, eu me contrataria? 
  • o que já fiz (sei fazer, estudei, experimentei…) que tem a ver com esta vaga? 
  • as competências que tenho e que são mais importantes para esta posição estão bem explicadas? 

4. Enfatize experiências recentes e relevantes

Parece uma dica óbvia, eu sei, mas não é: muita gente ainda se apega a experiências profissionais ou cursos que fez num passado distante como se fossem a coisa mais preciosa do planeta, sem se tocar de que eles podem parecer “caducos” para o empregador.

Claro que sua bagagem conta e que tudo o que fez até hoje formou a pessoa que é, mas a menos que você só tenha isso a mostrar, vale mais dar destaque ao que trabalhou e estudou mais recentemente, principalmente se você está indo para uma empresa que pregue a inovação.

Uma maneira de fazer isso é inverter a ordem, trazendo antes as experiências e os cursos mais recentes e deixando o restante para baixo. Em vez de usar a clássica ordem cronológica, você lança mão da lógica do “mais recente primeiro”.

Outra ideia? Destacar o que for mais interessante para a vaga usando negrito, ou explicando com mais atenção a função que claramente faz a diferença no seu currículo.

5. Pratique o desapego e resuma o máximo que puder

É uma continuação da dica anterior. Por mais que todas as experiências possam ter agregado a você, elas não são todas igualmente relevantes para o recrutador. Por apego e falta de edição, seu CV pode ficar cansativo, maçante, e alguma informação relevante pode passar despercebida num mar de detalhes irrelevantes. Pesadelo de quem está desempregado.

Fazer um bom currículo é sobre priorizar. Escolha as experiências, os cursos e as informações que devem constar ali usando a perspectiva da empresa que vai contratar você (tomara!). O currículo não é para agradar a sua pessoa, mas para atrair a atenção e o interesse de uma outra, a do contratante. 

Mais questionamentos úteis nessa hora:

  • O que a pessoa que vai receber o currículo acharia de fato importante ler?
  • O que realmente é relevante para a posição que você procura?
  • O que vai diferenciar você como candidato dos demais?
  • O que você fez ou que características tem que fazem de você um ótimo candidato a essa posição?

Essas são as perguntas pró-desapego, que farão seu currículo ficar mais conciso e interessante. Um bom parâmetro é o número de páginas: no máximo duas, a menos que a empresa em questão tenha pedido algo detalhado.

 

Quer sugerir algum tema de coluna? Escreva para bruna@brufioreti.com.br 

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

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