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Faxina mental: 5 detox inusitados para descansar a cabeça no feriadão

Bru Fioreti

14/11/2018 05h00

Não fuja, leitora que está planejando colocar o pé na jaca no feriadão! Os 5 detox que vou propor aqui nada têm a ver com tomar suco verde e cortar glúten ou lactose — deixo essa recomendação para profissionais da nutrição. Aqui você pode se permitir refeições gordurosas e até uns drinques, desde que aceite a premissa de não se estressar. Que tal?

Entendo que a essa altura do ano você provavelmente está sofrendo de intoxicação mental, menos associada a substâncias que entraram pela sua boca que à carga excessiva de informação, ao estresse no trabalho e a relacionamentos profissionais difíceis de engolir.

É dessas "toxinas" que você precisa se livrar se quiser encarar um dezembro de trabalho com a cabeça erguida.

Mas é preciso disciplina, afinal não estamos falando de 30 dias de férias, mas de um breve e volátil feriado. Se quiser embarcar nessa, lhe convido a associar os detox abaixo, que podem começar hoje à noite com o item 1.

Não há contraindicação, então vamos ao seu "plano desintoxicante".

Sem celular, com movimento: no detox mental do feriado, a única restrição é se preocupar demais (Foto: Pexels)

1) Detox de e-mails e mensagens de trabalho

É o mais óbvio da lista, mas consta em primeiro lugar por uma boa razão: se você continuar a checar demandas do trabalho na folga, simplesmente não relaxa, mesmo que esteja tomando sol e tomando água de coco.

Uma pesquisa recente, promovida pela Universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, comprovou que o simples fato de haver uma expectativa pela chegada de e-mails profissionais já é suficiente para afetar o comportamento e o bem-estar dos trabalhadores, aumentando não só seu nível de ansiedade, como o de seus familiares. Ou seja, você vai prejudicar seu feriado e de quem estiver com você.

Desde já tente fazer um acordo consigo mesma de só voltar a olhar e-mails e recados do WhatsApp profissionais quando voltar ao escritório.

E mais: tente desapegar do próprio WhatsApp, desligando temporariamente as notificações — um levantamento famoso com funcionários da Microsoft mostrou que qualquer lembrete que pipoca na tela "rouba" nossa atenção por cerca de 15 minutos.

2) Detox de autocobrança

Ei, você que se cobra para ter um desempenho cada vez mais alto no trabalho: saiba que não está só. O mercado de fato está mais competitivo, e saber que boa parte das empresas e profissões que existem hoje está fadada a sumir nos próximos anos não ajuda a relaxar. Há estudos apontando que um terço dos empregos atuais serão substituídos por tecnologias avançadas até 2025.

Mas é bem por isso que, em vez de se descabelar, você deveria aprender a relaxar. Explico: no cenário em que a robótica vai dominar uma boa parcela dos postos de trabalho, são as capacidades exclusivas dos humanos que farão diferença. Aqui entram as chamadas "soft skills". São as habilidades não técnicas, das quais já falei aqui no blog: comunicação, capacidade de trabalhar em equipe, flexibilidade, criatividade e até um olhar positivo para as situações.

A sacada para desenvolvê-las é estar com a inteligência emocional em dia, tendo seu cérebro em perfeito funcionamento. Como ser criativa quando está à beira de um ataque de nervos? E ser uma comunicadora sensível quando seu cérebro está fervendo com tanta irritação?

Para trabalhar as "soft skills", comece por substituir autocobrança por autorresponsabilidade. Em vez de ficar tensa pelo porvir, aceitar sua responsabilidade de fazer o melhor, mas com limites. Entender a diferença entre se martirizar e chamar a resolução dos problemas para si.

Como fazer isso em pleno feriado? Treinando não se cobrar por questões que ficaram pendentes do trabalho, observando o fluxo de pensamentos (estou sendo responsável ou me cobrando?) e se permitindo viver alguns dias sem planejamento.

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3) Detox de redes sociais

Já percebeu que ficar longe do celular seria uma ótima ideia, certo? Isso é tão difícil porque, assim como as mensagens, os likes e comentários das redes sociais ativam o chamado sistema de recompensa do cérebro. A cada aprovação recebida pelo smartphone, uma deliciosa química é liberada e você se sente bem. É a dopamina, cujo efeito passa rapidinho, dando aquela fissura por mais.

Se você associou a ideia com outras delícias viciantes, como açúcar, está coberta de razão.

Além do vício no celular provocado por esse vaivém químico, existe a sensação de solidão e tristeza provocada em muitas pessoas pelas redes sociais. É um paradoxo, uma vez que elas existem para conectar pessoas, porém uma pesquisa divulgada na semana passada pela Universidade da Pensilvânia associou esses sentimentos negativos ao uso de Instagram, Snapchat e Facebook. Foi a primeira vez que se conseguiu estabelecer relações causais entre aumento da depressão e o uso de "social media".

Para os estudiosos, uma das principais razões de as redes fomentarem sentimentos negativos vem de nos compararmos com os outros, achando que a vida dos demais é mais interessante que a nossa.

A sugestão dos pesquisadores é trocar o tempo gasto online com mais atividades que "lhe façam sentir bem com a própria vida". Colocar o celular de lado e conviver mais com gente "de verdade", pessoalmente. Está aí o feriado para lhe trazer essa oportunidade.

4) Detox de fofoca

Levantamento da plataforma CareerBuilder mostrou que a fofoca só perde para mensagens e internet como ladrão de tempo e energia no trabalho. Mas é um hábito e, portanto, algo difícil de largar.

Mas você pode fazer o teste. Depois de passar as primeiras horas pós-trabalho desabafando sobre os mais recentes impropérios que ouviu do chefe e repercutindo com amigos o bate-boca da última reunião, é hora de treinar falar menos dos outros. Aliás, de trabalho, em geral.

Procure atividades diferentes para os dias de descanso, tente ler e experimentar coisas atípicas para você, de comida a programas em família. É um exercício de "pensar fora da caixa" que pode começar agora, mas ser mantido toda semana, um excelente "ativador" de criatividade.

5) Detox de ficar sentada

Recentemente no Brasil, o professor de Harvard Tal Ben-Shahar comparou os efeitos negativos de passar tanto tempo sentados aos males provocados pelo cigarro. "Não somos feitos para ficar tanto tempo parados", disse ele.

De fato, ficar mais de seis horas sentado por dia já foi associado a uma série de problemas de saúde, como diminuição do ritmo do metabolismo, problemas cardiovasculares, risco maior de desenvolver diabetes, piora nos níveis de colesterol "ruim", problemas na coluna e assim por diante.

Um famoso estudo feito pela Universidade australiana de Queensland chegou a quantificar o estrago do sedentarismo: a expectativa de vida de uma pessoa diminui em média 21 minutos a cada hora que passa sentada.

O que fazer para reverter isso? No ambiente do trabalho, cumprir as recomendações de se levantar e dar pequenas caminhadas entre uma atividade e outra, além de trazer mais movimento para o dia a dia, usando escadas e fazendo o que for possível em pé, para manter os músculos ativos.

Nas miniférias, procure fazer o máximo de atividade que puder — o que não é sinônimo de ir para a academia.

Caminhe, movimente-se para pegar objetos, cumpra tarefas que faria sentada em pé e faça atividades lúdicas (uma das práticas utilizadas no coaching para executivos é justamente pedir que "brinquem" mais para estimular a criatividade e diminuir o estresse).

Essas pequenas atitudes vão parecer menos custosas durante os dias de descanso e podem semear um novo hábito na sua vida, ao voltar.

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.