Topo
Bru Fioreti

Bru Fioreti

Categorias

Histórico

Ser imperfeita é tendência! Descubra como isso te ajuda no trabalho

Bru Fioreti

20/08/2019 04h00

Depois de anos buscando a estética e a vida perfeitas da rede social, entramos na era do imperfeccionismo. E tem oportunidade aí (Foto: PEXELS)

Se você já reclamou que não aguenta mais ver tudo igual no Instagram e cogita dar unfollow em perfis que te fazem se sentir pressionada, feia, infeliz, pobre… Bem-vinda ao clube. A pausteurização de imagem e lifestyle capitaneada pela rede social nos últimos anos foi nos saturando, enquanto impulsionava uma série de áreas, principalmente de moda e beleza.

Agora o mercado começa a absorver conteúdos e produtos que promovem a valorização da imperfeição, do real. É uma oportunidade evidente para quem trabalha com marketing de influência, mas que pode ser abraçada também por você — desde o comportamento na entrevista de emprego até o próximo projeto que vai apresentar aos gestores da empresa.

Imperfeição é tendência, e o quanto antes você se apropriar disso, mais pode se destacar.

A ansiedade, e como chegamos até aqui

Relatórios do birô de tendências WSGN já apontaram como estamos vivendo uma era ansiosa, liderada pelos millenials e usada como instrumento das indústrias de beleza, saúde, entre outras.

Pesquisas com o termo "ansiedade" dobraram de 2015 pra cá, e o maior uso das redes sociais contribuiu para a ascensão da FOMO (sigla para a expressão em inglês "Fear Of Missing Out"), a incômoda sensação de se estar sempre por fora, perdendo algo.

Há ainda a dependência dos elogios e a busca pela perfeição estética.

Recentemente, artigo do site Fashionista descreveu como o uso de aplicativos como Facetune e Photoshop e dos filtros das próprias redes têm influenciado principalmente mulheres a buscar a chamada "Instagram Face" — bochechas marcadas, olhos grandes, boca carnuda, pele ultralisa, sobrancelhas micropigmentadas… Rostos à la Kylie Jenner, obtidos fora do mundo virtual com uma série de procedimentos cirúrgicos e preenchimentos.

Claro que tanta busca pela perfeição, nas formas do corpo ou no estilo de vida, só aumenta a ansiedade geral.

Foi aí que o imperfecionismo entrou no radar dos futuristas e se tornou uma das linhas de estudo mais promissoras, uma contracorrente que começa a ganhar força.

A bancarrota da "Instagram face" 

Na contramão de tantas "fake faces"e "fake bodies", algumas pessoas resgatam o que têm de único, assumindo suas feições "imperfeitas" como forma de se libertar da pressão por padrões inatingíveis.

Você já percebeu isso: a comunicação da imperfeição humana começa a ganhar eco no mercado, sendo usada de comerciais de beleza a itens de decoração propositadamente irregulares, orgânicos.

Lance esse olhar para seu feed de Instagram, cada vez mais recheado de influenciadores que defendem inclusão, de ativistas que ganham voz e seguidores, de perfis que falam sobre o conceito "body positive"…

Segundo os futuristas, com a ascensão da geração Z, o imperfeito só vai ganhar força — e, claro, pode se tornar uma oportunidade para você.

Veja também:

Carreira imperfeita

O movimento imperfeccionista pressupõe que aceitemos as falhas como parte do processo, o que pode ser trabalhado sob duas perspectivas: 1) não dar ênfase ao imperfeito e focar no que se tem de melhor; 2) enfatizar justamente os "defeitos" e fazer disso um diferencial.

Para entender qual linha seguir e como usar a tendência na prática, listo aqui algumas ocasiões/oportunidades e suas possíveis aplicações. Todas pressupõem assumir a imperfeição como parte natural da atuação profissional e, se possível, fazer disso um "algo mais".

Só deixo um alerta: não espere se sentir pronta para aplicar as ideias. A graça é justamente ser imperfeita.

  • Na entrevista de emprego: muito já se falou sobre o tiro no pé que é falar que seu maior defeito é ser perfeccionista na entrevista de emprego. Mas muita gente ainda se preocupa em passar uma imagem perfeitinha demais. Não é mais o que as empresas procuram. Lembre-se antes de tudo que os profissionais de RH fazem busca de perfis na rede social, logo, cuidar da imagem que transmite por ali é estratégico. Nessa nova fase do mercado, sua imperfeição pode ser um diferencial. Se você é distraída, mas megacriativa, pode (im)perfeitamente se adequar ao que uma empresa mais moderna está buscando. Do currículo à escolha da roupa para a entrevista, da resposta para a temida pergunta "qual seu maior defeito?" à dinâmica de grupo, busque deixar transparecer algum traço de autenticidade. Ser lembrado em um mercado saturado vale ouro.
  • Na gestão de carreira: permita-se fazer testes. Arriscar-se a fazer pequenos projetos em outras áreas de atuação, mesmo sem ter o completo domínio dela. É assim, à base de tentativa e erro, que você imperfeitamente começa a se enquadrar na geração slash, que tem mais de uma profissão e se diferencia pelo combo improvável de atividades exercidas. A lógica de aplicar ideias imperfeitas vale para o dia a dia de empresas mais tradicionais também. São ideias ousadas oferecidas em reuniões de brainstorm, relatórios criativos, propostas inusitadas no dia a dia do trabalho. Levar o teste adiante é entender que não existe fracasso quando se quer ser mais criativa, só existe aprendizado e aperfeiçoamento.
  • Nas redes sociais: talvez uma das maiores oportunidades relacionadas ao imperfeccionismo esteja na gestão da marca pessoal nas redes sociais. Cultivar um defeito, como já explicou Robert Greene em seu clássico "As 48 Leis do Poder", é uma das formas mais eficientes de encantar e de ser lembrada. Mostrar vulnerabilidade gera ainda identificação com o seguidor, transmite verdade. Considerando o branding pessoal como uma ferramenta para ganhar autoridade e ser reconhecida no mercado, pense em deixar transparecer seus valores mais importantes e se posicionar sempre que a ocasião permitir. Você pode usar ainda o estilo como uma ferramenta de diferenciação, apropriando-se do que tem de diferente em vez de mascarar "defeitos", e criando uma assinatura de imagem que faça seu perfil ser facilmente reconhecido. Por fim, a ferramenta de vídeos (hoje usada nos Stories e na rede em ascensão  Tik Tok) é especialmente eficiente em mostrar o real e gerar conexão. Gravar a própria cara — ou a comunicação audiovisual, se assim preferir — está se tornando uma habilidade desejável em vários segmentos do mercado. É sobre ser competente, claro, mas sobre saber comunicar essa competência nos mais diversos meios de um jeito único, só seu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.