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Bru Fioreti

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Estagnada na profissão? Pode ser um bom sinal, veja em quais situações

Bru Fioreti

2030-04-20T19:04:00

30/04/2019 04h00

Exercitar a paciência, aprender a lidar com o "platô": talvez seu crescimento profissional venha justamente daí (Foto: Pexels)

Das frases motivacionais que lemos nas redes sociais aos colegas de baia: tudo parece nos pressionar para a aceleração. Sentimos que o mundo e a tecnologia evoluem mais rapidamente que as nossas habilidades, que estamos sempre um passo atrás em conhecimento, informação, cargo e remuneração que muitas pessoas.

Achamos que um e-mail não respondido pode nos prejudicar, sentimos FOMO (Fear Of Missing Out) por não estarmos nos lugares da moda e começamos a ficar paranóicas achando que o colega da geração mais nova que chegou ontem pode nos derrubar por ser ousado ou dominar mais a tecnologia.

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Talvez você não sinta isso tudo, talvez sinta algum dos "sintomas" acima.

Mas há de admitir que o ritmo frenético que nos cerca não contribui muito para uma parte inevitável da carreira: o platô — aquela fase em que parecemos não crescer, em que estamos em velocidade de cruzeiro. Os dias que se acumulam sem novidades nem desafios.

Seria o platô um sinal de estagnação profissional? Pois é… nem sempre.

Como se tornar muito bom em algo

Pensando sobre o tema, me lembrei do livro "Maestria", um clássico do George Leonard que explica o que nos leva a dominar uma nova área. Um dos argumentos fundamentais do autor é que para "masterizar" qualquer tema é preciso treinar insistentemente, mesmo que naquele período a gente sinta que não evolui. É preciso "amar", enxergar valor na fase do treinamento repetitivo, maçante até.

A repetição, a insistência, faz parte do processo.

Um dia você se toca que aprendeu! E isso só acontece porque treinou, mesmo em meio ao desânimo, mesmo sem perceber que crescia no processo.

Pense nas aulas de violão, no aprendizado de algum esporte ou no curso de inglês, um martírio nos primeiros meses.

Seu platô hoje

Aceitar o tempo de maturação, pouco incensado na sociedade atual, pode ser justamente o que falta para que você atinja seus objetivos profissionais.

Algo como fechar os ouvidos para o ruído lá de fora e se dedicar ao que realmente importa na sua carreira. Vai levar tempo, mas vai ser consistente.

Essa lógica vale especialmente para as situações abaixo.

  1. Construir uma marca pessoal. Leva tempo para consolidar uma imagem profissional. Caso deseje lapidar isso — fazer o chamado personal branding, ou gestão de marca –, vai precisar de meses ou anos para que as pessoas assimilem seu novo posicionamento. Os sinais precisam ser precisos e consistentes, é bater na tecla, sabe? Tudo o que você faz, fala, veste e produz deve ter a mesma mensagem para que a marca seja entendida pelos outros. Quanto mais coerência nesse processo, mais facilmente você ganha reconhecimento. Mas nunca será de uma hora para outra.
  2. Aperfeiçoar-se em uma área nova. Aprender algo novo requer treino — horas de treino –, como nos exemplos explicados anteriormente. Não basta fazer um curso para se tornar expert. As informações devem ser digeridas e levadas para a prática antes de se tornarem "suas". Tenha paciência, treine, repita.
  3. Criar uma rede de apoio profissional. Networking é no gerúndio, é um processo. Não adianta trocar cartão ou número de Whats App se a relação não for construída aos poucos, com troca genuína de informação, encontros pessoalmente… Sua rede de apoio é a soma do que plantou ao longo da carreira. Quanto mais contatos genuinamente cultivados, mais consistente será sua network.
  4. Levar a cabo um plano B. O mesmo que vale para o aperfeiçoamento de uma área, vale para uma ideia e um negócio. Você pode acelerar com dedicação e fazer testes no caminho, mas não tem como simplesmente pular o tempo de planejamento e de maturação de um conceito. Vá trabalhando em pequenas metas no novo projeto e, quando se der conta, terá evoluído. O platô tem poder!
  5. Ser promovida ou ganhar um aumento. Você é paga para fazer sua função, então, em tese, merece ganhar mais ou subir de cargo se começar a entregar acima do esperado. A promoção ou o aumento de salário (e não estou falando da correção da inflação) não são inevitáveis. Entender isso ajuda a tomar as rédeas da própria carreira e "construir" sua promoção. Primeiro você domina a sua função, então começa a se treinar para a próxima, a fazer a mais. A promoção provavelmente virá como consequência disso, tenha paciência e foco.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.