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Bru Fioreti

Empacada na quarentena? Veja 6 estratégias para se adaptar melhor e agir

Bru Fioreti

14/04/2020 04h00

Entender que é possível, sim, mudar a si mesma é o começo da postura flexível, que conduz a mais aprendizado e evolução pessoal (Foto: Pexels)

Estava lendo um livro no fim de semana que me chamou a atenção pela maneira diferente de falar sobre adaptabilidade, que tem sido apontada — por óbvio — como uma das mais importantes soft skills do momento, mas também habilidade essencial para o futuro.

No livro, chamado "Força de Vontade Não Funciona", o psicólogo Benjamin Hardy fala sobre as nossas preferências de aprendizagem, ou simplesmente "o nosso modo de fazer as coisas", e como isso interfere na maneira como lidamos com tudo! Basicamente tendemos a querer sempre continuar no mesmo "modo" e evitamos sair dele.

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E, quando as situações se alteram, empacamos porque não queremos, porque é desconfortável ou porque simplesmente não acreditamos que podemos nos adaptar.

Olha o que o Benjamin diz sobre ser momentos ruins e ser uma pessoa flexível:

"Você aprende coisas novas ao se colocar em situações novas e difíceis que o obrigam a se tornar um aprendiz flexível. Essa é a essência e a base de ser adaptável. Aprender coisas novas exige errar, parecer e se sentir burro e ter que reconstruir nossa visão de mundo para ver as coisas de uma perspectiva mais elevada. Portanto, aprender coisas novas é muito difícil, e é por isso que as pessoas evitam fazê-lo".

Mentalidade de crescimento mesmo na adversidade

Segundo o autor, para sair dessa toada de apenas querer confirmar o que sabe ou acha que sabe, é preciso se comprometer a mudar, com uma dose de fé (acreditar que consegue mudar se quiser e tentar o suficiente) e mentalidade de crescimento (ou mindset de crescimento, estudado pela pesquisadora Carol Dwek, um jeito flexível de ver a vida ou os fatos, acreditando que nada é fixo, imutável).

As pessoas com uma mentalidade fixa têm muita dificuldade de aprender e, portanto, de tentar coisas novas e se adaptar a situações adversas — afinal, em geral, evitam tudo o que contrarie suas crenças até porque não estão abertas a mudar de opinião ou se abrir a novas ideias.

E a partir desses conceitos podemos começar uma reflexão: a quantas anda sua abertura para o novo?

Estilos de aprendizagem, qual você mais usa?

Mais de 50 anos de pesquisas na área mostram que temos um estilo de aprendizagem dominante, ao qual nos apegamos, diz Benjamin.

Mas podemos trabalhar com muitos outros estilos — e é especialmente para prosperar e nos adaptar a situações desafiadoras que precisamos trabalhar com opções de aprendizagem diferentes das que estamos acostumadas.

Reproduzo aqui a lista do autor com alguns desses estilos de aprendizagem:

  • Imaginar: ter ideias
  • Refletir: aprender sobre as ideias que tem
  • Analisar: sintetizar o que aprendeu e traçar planos estratégicos sobre o que fazer com essas ideias
  • Decidir: tomar uma decisão sobre o caminho que seguirá com uma ideia específica
  • Agir: fazer alguma coisa para a realização da sua ideia
  • Experimentar: aprender a partir de ângulos múltiplos, seja com outras pessoas ou criando algo, fracassando e tentando

Em vez de simplesmente se apegar a fazer as coisas "do seu jeito", a ideia é parar de pular todas essas etapas de aprendizagem e usá-las todas para enriquecer o seu processo de aprendizagem e se tornar uma pessoa mais flexível. Adaptável e bem-sucedida no que se propõe.

Antes de avançar, cabe a pergunta: você consegue flagrar qual seu estilo dominante de aprendizagem? E em qual especialmente está mais falhando, mas poderia te ajudar a superar os desafios pessoais e profissionais que vem enfrentando nessa quarentena?

Trabalhe com o que ama e… bem, tenha mais satisfação, porém não necessariamente menos problemas no dia a dia (Foto: Pexels)

Como melhorar aprendizagem e adaptabilidade na prática

Partindo da mentalidade de crescimento e dos estilos de aprendizagem, listo a seguir um mix de dicas do autor de "Força de Vontade Não Funciona" com minhas para avançar no processo de aprender e consequentemente melhorar sua adaptabilidade — ou flexibilidade, ou resiliência, ou simplesmente sua capacidade de lidar melhor com as novas situações, por mais difíceis que sejam.

  1. Aceite que você pode aprender de novas maneiras, mudar comportamentos e hábitos, tentar coisas de formas diversas, mudar de ideia, não saber de tudo e até desenvolver novas formas de atuação em cenários inesperados, como o atual, por exemplo. Você-pode-mudar! Ou, como costumo dizer, é uma delícia se sentir o mais ignorante do lugar. Isso estimula a evoluir, a aprender de novas formas — e há uma lista delas acima. Em termos mais técnicos, esse tópico é sobre exercitar a mentalidade/o mindset de crescimento.
  2. Faça escolhas difíceis e se comprometa com elas. A ideia é parar de gastar energia revisitando suas decisões o tempo todo, repensando se deveria fazer aquilo mesmo. Se decidiu que vai estudar inglês na quarentena, siga firme nesse propósito e não fique pensando se era melhor dedicar o tempo a estudar culinária ou francês, ou comparando sua decisão com a do vizinho. Para quê? Decida, crie um plano e siga em frente por um período estabelecido. Assim pode se aprofundar no processo de aprendizagem do que definiu sem se perder no caminho, o que poderia te paralisar.
  3. Crie e reconheça seu "ponto sem volta", fazendo um grande investimento em si mesma. Investimento de tempo, energia, dinheiro, comprometimento robusto, sabe? Parte da tese de mestrado de Benjamin Hardy, o "ponto sem volta" fala sobre aquele momento que muda tudo, que cria um comprometimento nunca antes experimentado. A partir desse ponto, a pessoa começa a alterar o comportamento, até radicalmente se for o caso, para criar uma nova identidade e experimentar os ganhos que tanto deseja (e não estou falando só dos financeiros). Acho um ótimo conceito para refletir no momento atual: de alguma maneira, sem que pudéssemos escolher, passamos a experimentar o "ponto sem volta". Olhar para como ele nos afeta e o que podemos alterar nos nossos comportamentos e decisões, aprendendo a nos adaptar, pode ser uma mudança de vida gigantesca. Vale para o individual, mas também para o coletivo.
  4. Treine a escuta ativa. Tente numa conversa com alguém que pensa diferente de você ou ao consumir uma opinião diversa num podcast, num texto, na TV… Trata-se de ouvir tentando não julgar nem interromper, fazendo um esforço consciente para entender o lado da outra pessoa e acolhê-la. Depois você pode contra-argumentar, se for o caso, claro, até para avançar nas fases do seu aprendizado. Mas a abertura para ouvir é passível de treino e fará toda a diferença até no seu processo criativo.
  5. Considere a adaptação brusca. Ir se adaptando aos poucos pode ser muito eficiente para criar novos hábitos, mas o autor explica que somos seres tão adaptáveis que mesmo que as mudanças sejam bruscas, elas funcionam para a adaptação e encurtam o caminho. "Se quiser se adaptar a acordar às 4h30, não precisa começar acordando às 6h, depois às 5h30… Pode começar com tudo, sentir a dor, e se adaptar", escreve. Embora haja um choque emocional, Benjamin diz, funciona e normalmente fica claro que a expectativa era bem pior que o fato em si, pois estava com uma supercarga emocional. Ele compara o processo com pular devagar ou com tudo numa piscina fria. Ao que pergunta: em que piscina está entrando aos poucos? Está se concentrando na dor em vez de enfrentar os medos? Para aderir a essa abordagem, é preciso fazer os tópicos anteriores, sendo um aprendiz flexível e acreditando que pode se adaptar, porque aí, sim, vai ter coragem para tentar a experimentação brusca e aguentar as dificuldades que precedem a adaptação.
  6. Conviva bem com as emoções negativas. Se são elas as que mais barram seu crescimento, saiba que elas também te acompanharão quando conseguir realizações incríveis e for mais ousada na vida. Ser bem-sucedida não é sobre barrar sentimentos ruins, porque isso é impossível. É sobre aprender a conviver com o medo, a insegurança, o fracasso, a solidão e seguir adiante mesmo sentindo desconforto com as incertezas — e sobre isso, convenhamos, estamos tendo uma grande escola.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

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