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Abra a mente! Três lições para você evoluir durante a quarentena

Bru Fioreti

21/04/2020 04h00

Revisitar as certezas e replanejar: tempos difíceis nos ajudam a mudar a forma como encaramos o trabalho e a vida. Já repensou por aí? Foto: Pexels

A incerteza, a quantidade de notícias ruins, o isolamento social, as perdas, o(s) medo(s)… Tudo isso tem feito com que muitas de nós não consigamos trabalhar direito, pensar direito e muito menos agir direito em direção a qualquer objetivo que passe pela cabeça.

Mas, embora eu defenda dosar a quantidade de horas no celular e diminuir a exposição a notícias, não acredito que o único jeito de tocar nossos barquinhos individuais é cair no egoísmo e ignorar o que está acontecendo para fora das janelas dos nossos apartamentos.

Será que não existe algo a aprender bem no aqui-agora? Abraçando inclusive esses altos e baixos característicos do período?

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Tenho pensado nos vários desdobramentos disso. Sem querer romantizar a pandemia nem demonizar as mudanças por ela impostas, mas simplesmente acolhendo o que ela nos traz de diferente e o que nos mostra sobre o que sempre esteve debaixo do nosso nariz.

Há muitos, muitos aspectos interessantes nessa linha de raciocínio sobre o que aprender com a Covid-19. Aqui, falo de carreira, produtividade e aspectos do comportamento vinculados ao trabalho, trazendo dicas de aplicação para cada leitora. Nesse campo, ao menos três aprendizados me chamaram a atenção:

  1. A incerteza como o novo normal. E, portanto, nossa necessidade de ressignificar o que é ter certeza para então agir;
  2. O futuro antecipado batendo à porta. Nossa sociedade e o planeta mudaram, e está cada vez mais difícil não olhar pra isso;
  3. Às vezes evoluímos na marra. Aumentar o grau de dificuldade tem funcionado como impulso individual ou coletivo.  

Não é tão abstrato quanto parece, viu? A seguir destrincho cada item e como podemos evoluir em cada um deles na prática.

1) Aprendendo a lidar com 80% de certeza

Em que momento mesmo fomos convencidas de que precisamos ter 100% de certeza para agir? Se a gente pensar a fundo, nem é possível ter 100% de certeza, a menos que seja uma autoengano. Ué, não temos controle de absolutamente tudo, então não podemos ter essa certeza toda.

Podemos, claro, desenvolver convicções e trabalhar em cima delas. Podemos, ainda, ter um misto de sensação e dados que nos leve a tomar boas decisões. E é esse o ponto que quero trazer: a certeza absoluta, assim como tudo o que é absoluto, é uma ilusão.

Quer um momento melhor que esse para refletir sobre isso e, de uma vez por todas, aceitar que não controlamos tudo? E entender que, apesar dos pesares, controlamos uma parte das coisas (como reagimos aos fatos, por exemplo) e podemos agir com o que sabemos que controlamos?

Nos meus cursos, sempre estimulei as pessoas a agir com 80% de certeza — mas pode ser qualquer porcentagem acima de 51%. Isso: se você já está pendendo para um lado, pode dar um pequeno passo naquela direção, desde que tenha consciência das consequências.

Isso é para te ajudar a pensar de maneira menos rígida. Não se cobrar para ter todas as respostas. Permitir-se um pequeno nível de risco que seja. Não travar em tempos difíceis.

Ser prudente é uma coisa, ser dominada por medo é outra. Saiba diferenciar.

Ao menos, no momento, você pode se sentir acompanhada: todo mundo que está fazendo alguma coisa, profissional ou pessoalmente, está fazendo isso sem a ilusão dos 100% de certeza, porque pandemias escancaram que isso não existe.

Entre aguardar a certeza impossível e uma pequena ação com frio na barriga, com qual você fica?

Obs. Perceba que usei sempre o termo "pequena ação", porque ninguém está dizendo que necessariamente você precisa ser ousada agora. Pequenas atitudes, pílulas de ação, podem ter um impacto positivo enorme sobre sua autoconfiança, com baixo risco. Uma nova rotina em casa, o início de um projeto de conteúdo nas redes sociais, fazer um curso que nunca faria, um projeto novo beneficente no trabalho, um teste de dar mentoria remota…

Você escolhe o que fazer com esses 80% de certeza que tem aí martelando na cabeça.

2) Atualizando seu software antes do que gostaria

Vi essa expressão recentemente em um vídeo do Murilo Gun: "atualizar o software" para entrar de vez no que ele chama de "idade complexa", a que vivemos hoje, uma possível denominação para o tempo que vem substituir a idade contemporânea.

O mundo complexo no qual vivemos não comporta mais pensamentos lineares, seja para lidar com a questão do lixo seja para as carreiras individuais. Tudo, diz ele, está "tecido junto", conectado, e portanto mais difícil de assimilar com pensamento binário.

A constatação de que estamos nessa nova era o faz concluir que vamos precisar mudar. Sim ou sim. E também aceitar que não vamos compreender todos os seus aspectos; é complexo demais.

O que é possível fazer é abrir-se ao novo, abraçando a mentalidade (ou mindset) de crescimento, sobre o qual falamos na semana passada, e tentando ler os sinais de mudança — mais um conceito que já tratei na coluna quando falei de futurismo aplicado ao nosso dia a dia.

A proposta é desenvolver uma observação mais atenta e mais rápida. Observar as mudanças que estão acontecendo AGORA. Ler o que há por trás delas e como se conectam com a sua vida e a sua trajetória particular hoje e possivelmente amanhã.

Tente se perguntar, por escrito:

  • o que afinal está acontecendo?
  • qual a sensação que eu tenho? Por quê?
  • o que há de prático entre o que vejo, sinto e o que acontece lá fora?
  • que sinais estão implícitos nos fatos?
  • o que posso aprender com isso?
  • há algo que eu precise passar a aceitar/absorver a partir disso?
  • algum passo que esteja a meu alcance dar?

E aí fazer a tal atualização de software, uma espécie de instalação dos novos paradigmas. A conscientização do que o mundo complexo, ou uma parte dele, está revelando agora e como você se encaixa nisso.

Aceitar o quanto antes que vai precisar mudar diante do cenário e entender quais os caminhos pode tomar na prática a partir daí.

O cenário ultracomplexo do momento é perfeito para esse tipo de reflexão profunda e atualização do "eu-software". Desapegar das verdades que fez questão de manter até hoje e aceitar a beleza de mudar de ideia — se sua reflexão a levar a isso.

Eis o mundo complexo: ideias fixas e lineares não o compreendem. Por que ações com essas características seriam as mais indicadas? Re-pense. Re-aja.

3) Aumentando o nível de dificuldade

Involuntariamente, a pandemia já fez isso por você: te obrigou a mudar a maneira como vivia, rever os planos, talvez se adaptar a um novo modelo de trabalho — isso além dos tópicos acima, de encarar uma realidade totalmente nova, instável e com um grau de imprevisibilidade com a qual não contávamos agora.

Fato é: estamos tendo que lidar com um desconforto em todas as esferas das nossas vidas e isso nos ensina muito.

Do ponto de vista da carreira e da produtividade, a recomendação de sair da zona de conforto sempre esteve presente. Mas como isso fica na prática, ainda mais diante da nossa fragilidade emocional agora?

Bom, a primeira coisa é pensar nos passos acima, tomando consciência do seu nível de equilíbrio e saúde emocional e de quais as possíveis mudanças que o cenário te convida a fazer. Com essa clareza, entender que, se quiser fazer algo, vai ter que ser com menos que 100% de certeza.

E então é hora de agir e "se obrigar" a evoluir.

Explico: se os fatores externos não forem suficientes para te fazer inovar, aceitar pequenos riscos ou simplesmente sair da inércia, talvez vá precisar se forçar, se comprometendo com pessoas, diminuindo os prazos, criando uma rotina fixa em casa, redefinindo as prioridades, mesmo que seja difícil.

Além desses fatores, sobre os quais já falei em colunas anteriores, aumentar o grau de dificuldade, prometendo uma entrega acima da que faria normalmente. Sim, colocando pressão em si mesma — entende por que indiquei só partir para esse tópico após checar a saúde emocional e tiver uma boa aceitação dos fatos?

Uma recomendação do psicólogo Benjamin Hardy é se imaginar competindo com alguém que seja maior que você em competência, reconhecimento, tempo de estrada… Estude esse tipo de concorrência, a mais competente que você, e tente fazer algo que a supere. Crie um jogo interno para se motivador, Benjamin diz. É um catalisador de performance.

E performance é aquilo que você decidir.

Por isso, antes de qualquer técnica de produtividade vem a questão: o que é produtividade pra você? Para mim, é fazer mais do que é mais importante, e isso tem muitas nuances, objetivos claros e, sim, muda conforme o cenário. Inclui autopressão, como ensino aqui, mas também descanso, pausa e respeito pela montanha russa emocional em tempos difíceis.

Atualize o seu software e com ele o conceito de produtividade, com o nível de certeza e equilíbrio que você tiver. Sairemos com bons aprendizados disso.

 

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

Blog da Bru Fioreti