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Bru Fioreti

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Era do biscoito: Viciada em elogios? Saiba como isso pode lhe sabotar

Bru Fioreti

27/03/2019 04h00

Sua autoestima depende de elogios hoje? E sua motivação profissional? (Foto: PEXELS)

É bom ser elogiada, fato. Ainda que possa ter dificuldade na hora de receber e aceitar elogios — tema para uma próxima coluna –, algo em você se sente bem quando recebe um reconhecimento, um afago.

Mas e quando a necessidade de aprovação passa dos limites e se torna uma dependência, a ponto de causar frustração e desmotivação quando não vier?

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Viciada em elogios, eu?

A cada elogio, uma descarga de dopamina invade nosso cérebro dando uma sensação de bem-estar, ainda que volátil. Acontece um dia, outro… e algumas de nós acabamos nos viciando nisso. A prazerosa descarga neuroquímica pode vir de comentários elogiosos ao vivo e até de likes nas redes sociais, assim como de várias interações positivas no dia a dia.

Especialistas dizem, porém, que depender de retorno positivo não é uma ideia sustentável para a manutenção do chamado sistema de recompensa do cérebro. Afinal, se ficamos dependentes de elogios, qual o tamanho do mal-estar quando passamos um ou mais dias no zero?

Na esfera profissional, isso se traduz em comportamento infantilizado e altos e baixos constantes no desempenho.

O problema é que, por mais excelente que esteja seu trabalho, pode ser que não receba aplausos por ele, e quanto mais sua motivação depender de elogios, mas você estará delegando sua perfomance a outrem. Trocando em miúdos: se você só funciona bem à base de aprovação externa, pode se desengajar, perder o rumo e diminuir a performance caso ela não venha.

Autossabotagem, já ouviu falar?

Feedback importa, fato

Gestores atuais costumam se queixar dos millennials, dizendo que são eternos insatisfeitos e que se desmotivam facilmente, precisando de incentivos constantes. Isso é muito estudado e tem lastro na realidade.

Mas a verdade é que todas nós nos importamos com feedback: queremos saber se estamos no caminho certo e se temos perspetivas boas naquele trabalho.

Por isso, para as gestoras, vale mais a pena aprender a lidar com a necessidade maior de retorno do que reclamar dela. Conversar e acompanhar o trabalho de perto, criar situações para dialogar e dar tarefas mais desafiadoras no dia a dia: tudo isso mantém o ânimo dos profissionais acostumados às recompensas rápidas do mundo "internético".

Já para as "geridas", é mais esperto desapegar do feedback constante e criar os próprios desafios e metas profissionais — automotivação pura.

Como saber na prática

Para saber se você está caindo no vício por elogio, veja esses três exemplos:

  1. Você desanima toda vez que sabe que fez um trabalho excelente, mas ninguém comentou nada? De vez em quando você esperar reconhecimento é normal, saudável. Mas achar que a cada acerto deveria receber um pequeno prêmio são outros quinhentos…
  2. Sente-se menos bajulada que os outros e "murcha" com isso em vez de usar como combustível para produzir mais ou tomar uma atitude?
  3. Acha que merece aumento em poucos meses só porque "entrega" bem, sem considerar que promoção é um caminho a ser construído? Se ninguém reconhece isso rapidamente, é porque está sendo desvalorizada e se sente péssima com isso?

Há inúmeros casos como os citados acima, e você pode observar no dia a dia quando está delegando sua motivação ao elogio alheio.

Elogio versus crítica

A preocupação excessiva com a crítica também é um sabotador e não é o mesmo que querer fazer um bom trabalho.

É mais sobre ficar ansiosa além da conta — geralmente quem passa por isso sabe quando acontece — com a possibilidade de desaprovação. Isso leva ao "overthinking", uma sequência de pensamentos destrutivos e improdutivos que travam ou levam à revisão exagerada do que fez, e à síndrome do "nunca estou pronta".

A dependência do elogio e o medo da crítica caminham juntos. Envolve a necessidade de agradar, ser aceita, e geralmente resulta em levar ambos para o lado pessoal para medir seu valor.

Se fui elogiada, sou ótima, aceita, gostam de mim aqui. Caso contrário, se me criticam, não gostam de mim, me perseguem ou se sentem ameaçados por mim — outra maneira de levar para o pessoal.

Da próxima vez, considere se um elogio não é apenas um elogio, um feliz resultado de um trabalho bem feito, mas que não o torna mais bem-feito. Se não viesse o elogio, ele continuaria a ser ótimo, certo? O que importa para o dia a dia é VOCÊ saber disso. Reconhecimento deve ser consequência.

Considere também que a crítica não é pessoal (geralmente). Ela é sobre o trabalho, não sobre você, seu valor e autoestima não deveriam depender disso. Você não é definida pelos seus erros, aprende com eles para evoluir.

Desenvolver autoconhecimento e ser gentil e paciente consigo mesma ajudam a tirar essa lente de aumento para o que lhe dizem de bom ou ruim. Seu valor é seu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.