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Você se sente perdida na carreira? Use essas 3 técnicas para se encontrar

Bru Fioreti

03/09/2019 04h00

Testar, criar um projeto de curto prazo e desenvolver forças: é no movimento que você vai se encontrar na carreira (Foto: PEXELS)

Se a carreira em uma empresa, planejada no longo prazo, tornou-se rara, o que nos resta a não ser aceitar que teremos uma, duas, dez transições profissionais ao longo da vida?

O que provoca ansiedade pode também ser entendido como uma oportunidade de se testar, de treinar diversas posições e não cair no marasmo no trabalho.

O problema, para muita gente, é saber qual o próximo passo. O que devo fazer da minha vida? Para qual transição devo me preparar? Que objetivo traçar agora que já realizei o primeiro?

Não existe resposta pronta para essa pergunta. O que existe é autoinvestigação — e muitos vão recomendar que você se conheça a ponto de encontrar um propósito para guiar sua carreira. Tudo bem, tudo certo. Mas, e se isso empacar? É por isso que recomendo fazer testes! Ir se desafiando, fazendo vários trabalhos diferentes, estudando temas diversos… um caminho que pode perfeitamente correr em paralelo ao processo de descoberta do "porquê".

É com essa premissa em mente que proponho três técnicas para ir se encontrando, enquanto a certeza do propósito, ou de como aplicá-lo, não vem.

1) Conheça suas forças e tente maximizar três delas

Quando afirmei aqui na coluna que autoconhecimento é a nova pós-graduação é porque, de fato, só as habilidades técnicas, a faculdade ou o MBA não dão conta mais de diferenciar ninguém no mercado.

A criatividade para resolver problemas complexos, a habilidade de se relacionar com pessoas de diferentes níveis de conhecimento, a inteligência emocional e relacional para lidar com a pressão de um mercado em constante transformação… Essas competências menos óbvias podem te ajudar a se empossar da sua especialidade e definir seu nicho profissional.

Se conhecer suas forças soa intangível para você, tente fazer o teste de forças de caráter disponível no site ViaCharacter.com — se não fala inglês e a página abrir nesta língua, vai precisar colocar para traduzir para português no topo da página, tá?

O teste é gratuito, e você pode gerar o resultado em PDF também gratuitamente.

As 5 primeiras forças que aparecerem no resultado, em ordem, são as mais afloradas em você. São elas, que naturalmente já tem, que devem ser as mais trabalhadas, de acordo com os pesquisadores da Psicologia Positiva. No próprio site, há sugestões de como lapidar cada uma delas.

Além dessas forças de caráter da Psicologia Positiva, procure saber quais habilidades estão em alta e quais vale a pena você desenvolver. Eu mesma publiquei coluna na qual elenco as habilidades do futuro que podem ser treinadas até em casa, com colaboração, empatia e espírito empreendedor.

Escolha de uma a três e vá lapidando no dia a dia.

2) Faça um cronograma de tentativas profissionais

Parte da angústia em torno de ter um objetivo profissional está relacionado à própria ideia de OBJETIVO. Parece que precisa ser grandioso; empresta um caráter definitivo àquilo que será feito; dá medo.

Claro que é desejável que o profissional tenha em mente o que quer da sua carreira, para guiar as decisões profissionais em vez de delegar a outrem o poder de dizer para que área deve ir ou que projeto topar.

Mas, se você empacou, pode ser que precise de mais tempo e/ou experiência para ganhar clareza. É nessa fase que, em vez de começar a se lançar no mercado e fazer uma série de tentativas, frustrar-se, entender-se, errar e aprender, as pessoas… travam!

Seja você uma novata ou uma mulher em transição de carreira, aceite que é importante estar no mercado para entender de mercado, sair do plano mental e partir para a prática.

Minha sugestão é fazer o que chamo de cronograma de tentativas profissionais: levar essa fase de experimentação para o planejamento.

Esse plano serve para diminuir a sensação de estar perdida e deixa claro (para você mesma) que está propositadamente em período de teste, "se autorizando" a errar, a sair em poucos meses de um trabalho que desagradar, a ter três hobbies ou frilas ao mesmo tempo…

A organização do cronograma é simples: faça uma lista de todas as áreas e atividades em que tem vontade de tentar, que tem o palpite de serem boas para você. Defina um período de tempo máximo para passar por elas (quatro meses? sete? um ano?) e então ter "material" para decidir em qual se aprofundar em estudos e ganhar mais experiência.

Mais 3 dicas para fazer o cronograma de tentativas profissionais sem autoengano:

  1. Tudo bem ir testando mais de uma coisa ao mesmo tempo. A ideia é se jogar o máximo que puder mesmo e ganhar experiência. Esteja sempre estudando, lendo, fazendo… 
  2. Vá anotando suas impressões, sensações e insights diariamente nesse período. Isso é fundamental para que depois se lembre exatamente de como se sentiu em tal trabalho, que dificuldades teve etc. 
  3. Ele vai ser uma aula de autoconhecimento e vai ter certo grau de autoindulgência, e quem é mais volúvel pode tomar gosto pela coisa. Mas, se continuar pela vida nessa toada, não vai se especializar em nada e pode alcançar um teto salarial baixo, já que não vai se especializar. A escolha é sua, mas minha sugestão é que o processo tenha começo, meio e fim. 

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3) Defina e planeje um projeto de curto prazo

Além de se alimentar de experiências profissionais e trabalhar suas forças e habilidades independentemente do trabalho atual, sugiro criar um projeto de curto prazo e "do coração" para se colocar à prova.

O desafio é mais que o simples ato de cumprir o prazo do projeto — apesar de isso ser essencial para desenvolver autodisciplina. É a tomada de decisão, mesmo sem ter a tal da certeza absoluta.

Ao escolher um PROJETO de curto prazo, você tira o peso de trabalhar um OBJETIVO de longo prazo, daqueles que botam medo, mas lapida, sem pressão, alguma coisa com potencial para se tornar sua especialidade profissional.

Lembrando que o mercado tende a abraçar cada vez mais trabalhos sob demanda, jobs em vez de contratos tradicionais. Isso também acaba sendo um teste para o sistema de trabalho que em breve será preponderante.

Na prática, o projeto pode vir junto com o cronograma de tentativas ou separado. Se vier junto, coloque-o como prioridade — as demais tentativas devem tomar menos tempo que o seu projeto.

O que pode ser esse projeto?

Um frila robusto a entregar, uma rede social para começar a trabalhar profissionalmente, um livro para escrever, um e-commerce de pequeno porte para abrir, um tipo de serviço ou consultoria que você vai oferecer a partir de agora, uma cobertura de férias que decidiu aceitar naquela empresa…

Para o que estou propondo aqui, o projeto é qualquer atividade profissional com começo, meio e fim na qual você veja potencial e decida fazer em até 6 meses. Pode ser menor ou maior, mas sugiro seis meses.

Escolha o seu e comece. Como no item 2, vale anotar impressões e insights durante o processo. E, ao final, decida se ele merece ser prorrogado ou não.

A clareza virá da experiência. Experimente e verá.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.