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Você tem dificuldades para dar nome à sua profissão? Saiba como se destacar

Bru Fioreti

13/08/2019 04h00

Produtora de conteúdo/personal trainer; nutricionista/psicóloga; contadora/professora de ioga: você faz parte da geração slash? (Foto: PEXELS)

Você hoje tem dificuldade para dar um nome específico para a sua profissão? Está penando para encontrar um posicionamento especial na carreira? Precisa melhorar a forma como equilibra as demandas tão diversas de um dia de trabalho?

Sofrendo com um ou com os três dilemas acima?

Para começo de conversa, não vamos chamar de dilemas. Melhor encarar como características comuns no mercado de trabalho atual e seu novo tipo de integrante: o profissional "slash" ou, em português, o "profissional barra barra barra": aquele que faz isso / aquilo / aquilo outro.

Entendeu?

Está aqui uma jornalista/business coach/estrategista de branding pessoal para tentar te explicar que isso não é mais visto como falta de foco, coisa de quem não sabe o que quer ou um problema de quem não faz nada bem.

A "carreira slash" é uma tendência que nasce de um novo tipo de comportamento aliado às demandas do mercado.

Felicidade profissional sob demanda

A tendência de comportamento que culminou no profissional slash você provavelmente já conhece: a partir da geração Y (os millenials, nascidos dos início dos anos 1980 até meados dos 1990), a vontade de cumprir um propósito de vida e se sentir satisfeito com o ganha-pão passou a ser mais falada.

Trabalhar "só" para ganhar dinheiro, cumprir expediente, seguir ordens… tudo isso foi ficando obsoleto quando o foco na satisfação profissional e na realização de sonhos ganhou os holofotes.

Do ponto de vista do mercado, os especialistas em futuro do trabalho apontam o movimento de flexibilização trabalhista. Como já falei aqui na coluna, as contratações tenderão a ser realizadas sob demanda. É o que, nos jargões moderninhos, chamamos de "fazer jobs".

Você quer se sentir plena, mas isso vai se dar pelo conjunto dos jobs em empresas diferentes ou para clientes diversos. Vai palestrar, dar consultoria, vender cursos, entregar projetos. Vai atuar como psicóloga, professora, advogada, professora de ioga, engenheira, astróloga, médica, "instagramer", nutricionista, consultora de estilo. Em uma, em duas, em quatro dessas áreas.

E vai aprender a se equilibrar em um modelo de trabalho que remove as seguranças que parecíamos ter até então.

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O fim dos experts?

Ao contrário do que parece à primeira vista, a ascensão do profissional slash não significa a bancarrota do especialista. O que muda é que até esses precisarão aprender a trabalhar sob diferentes demandas, para mais de uma empresas e conectados a mais de uma área.

Repito: há muito espaço para o expert, a diferença é que talvez ele não possa mais se contentar com ser muito bom em uma coisa sem dialogar com as demais. Com relações e áreas mais fluidas, o mercado pede que os hiperespecializados saiam das suas torres e compartilhem conhecimento para conseguir resultados melhores.

Aliás, superespecialistas ou generalistas, todos precisarão estar conectados. E é por isso que o relacionamento e a comunicação estão entre as habilidades consideradas mais importantes de agora até 2030, segundo vários estudos recentes.

As 6 habilidades que a "você slash" precisa dominar

Pensando nos caminhos do mercado slash, listei as habilidades que provavelmente você que já se encaixa ou está prestes a se encaixar nesse novo modelo econômico precisa desenvolver.

Não é uma questão apenas de sobreviver no mercado, mas de se sobressair e atingir o propósito maior disso tudo: a felicidade profissional.

Antes das dicas, lembre-se de que a capacidade de lidar com mudanças e a tal da cabeça aberta vêm antes disso tudo. O cenário é esse, se dá melhor na carreira quem, em vez de espernear, aprende a lidar com ele à sua maneira. Assim ó…

  1. Aprender de uma vez por todas a lidar com dinheiro. Sem um salário fixo e com mais de uma fonte de renda, é claro que o gerenciamento das finanças fica por sua conta — como, vamos falar a verdade, sempre deveria ter estado. Muitas vezes, basta começar por uma planilha e um planejamento dos gastos fixos para se sentir segura. O que deve entrar de dinheiro neste mês? Há uma perspectiva sobre os próximos? Quais gastos preciso cortar? Dá para recusar esse trabalho que não tem a ver com o que quero? Ou preciso pegar o máximo agora para me dedicar ao meu projeto do coração daqui a alguns meses? Planejamento financeiro e de carreira estão conectados, porque ter ou não uma perspectiva do que entra e o que sai tende a mudar a forma como prioriza e toma decisões.
  2. Entender que seu propósito não precisa vir do que te dá dinheiro. Em seu best-seller "Seja Mais Feliz", o psicólogo e pesquisador de Harvard Tal Ben-Shahar, um dos mais reconhecidos defensores da Psicologia Positiva, explica que não necessariamente o propósito de vida precisa ser tão grandioso, como erroneamente se interpreta por aí, muito menos estar preso apenas à profissão. O propósito pode estar vinculado à família, ao hobby, ao trabalho voluntário… Se você não enxergar a conexão entre o que faz para pagar as contas e o que traz significado à sua vida… TUDO BEM! Não tem nada de errado em querer trabalhar "apenas" para ganhar dinheiro. Se for seu caso, busque significado de outras formas e entregue-se aos "trabalho 1/ trabalho 2 / trabalho 3" mesmo que não sejam "dos sonhos" sem culpa.
  3. Desenvolver métodos de gerenciamento de tempo em casa. Separar o urgente do importante, organizar o tempo e entender o que é produtividade para você: eis a tríade de habilidades para ser desenvolvida urgentemente por toda uma geração que provavelmente precisará trabalhar remotamente e/ou lidar com organizações horizontais (sem necessariamente haver um gestor para direcionar suas prioridades).
  4. Criar um posicionamento que se baseie na fusão das habilidades. Já defendi aqui na coluna que, hoje, o Instagram é o novo currículo — basta dizer seu nome que vão pesquisar quem você é na plataforma para entender qual é o coração da sua marca pessoal. Sabendo disso, costuma aflorar a seguinte angústia: o que eu devo comunicar para me ajudar na carreira? Um dos caminhos é entender que o seu COMBO de profissional slash pode ser, em si, uma nova profissão. Talvez justamente o fato de prestar esses dois ou três tipos de serviço é que faça de você uma profissional — ou uma marca — única e especial. Comece investigando o que há de diferente aí, lapidando a sensação que pretende gerar e qual é a linha mestra para trabalhar.
  5. Escolher uma das áreas do coração para promover como "sua marca". Além da abordagem de comunicar seu conjunto como diferencial, uma possibilidade é procurar, entre suas competências, as empresas com que trabalha e os seus serviços qual seria o mais importante e digno de ser comunicado. Qual dos tópicos entre tantas "slashes" é o mais significativo para você e seu branding pessoal? Isso não significa que não possa se dedicar a múltiplas atividades, mas usar como pilar da comunicação pessoal a seara que trará mais oportunidades que te encantam e reconhecimento. Já para ganhar dinheiro, trabalhe com quantas fontes desejar, oras.
  6. Encarar a necessidade de fazer contatos como parte do "job description". Posicionamento, gerenciamento de tempo e de finanças, habilidades múltiplas… nada disso adianta se você não tiver onde trabalhar e mostrar a que veio! E a demanda surge das pessoas que te contratam — pelo menos até hoje tem funcionado assim. Por essas e outras, acionar novos contatos e aprender a cultivar boas relações é uma das mais importantes características do mercado fluido no qual estamos entrando. Saiba que daqui pra frente você é seu departamento de marketing, e ele é crucial para a empresa você.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.