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Seu hobby pode virar profissão! Veja dicas para entrar nessa tendência

Bru Fioreti

31/07/2018 05h00

Quantos conhecidos e conhecidas você tem que largaram a CLT para trabalhar solo nos últimos anos? E quantas reportagens leu sobre pessoas que abriram pequenos negócios para se virar depois de perder o emprego? Por necessidade ou desejo de gerações que não se encaixam mais no clássico perfil 9h-18h, empreender é uma das tendências de carreira mais certeiras para os próximos anos.

E, por mais que haja mais de uma forma de fazer isso, sempre que o assunto vem à tona, a primeira ideia que aflora é: "eu bem que poderia transformar meu hobby em profissão". Já lhe ocorreu isso?

Bem, é o ponto de partida mais corriqueiro. Nesta segunda (30/7) mesmo, a "Folha de S. Paulo" publicou uma reportagem sobre pessoas, a maioria mulheres, que vêm apostando na profissão de costureira para ganhar a vida. Claro que, além de aprender esse ofício tradicional, tiveram que observar o mercado atual, montando ateliês charmosos e procurando pontos amigáveis para este tipo de serviço. Funcionou.

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Trabalhar com ofícios tradicionais acrescentando a eles uma pegada moderna também é tendência. Isso vai além dos estabelecimentos estilo barbearia "cool" ou daquela portinha que serve uma maravilhosa comida caseira vegetariana no descolado bairro de Pinheiros, em São Paulo. É um caminho possível de microempreendedorismo para várias cidades, bairros e níveis econômicos, a julgar pelo relatório sobre áreas promissoras publicado pelo Sebrae no início do ano.

Áreas tradicionais e hobbies se encaixam na tendência do empreendedorismo. Mas é preciso se adequar às demandas do mercado (FOTO: PEXELS)

Entre as várias possibilidades apontadas pelo documento, estão profissões ligadas a culinária, estética, vendas e eventos, além de saúde, educação e serviços para idosos. De comida congelada e lanchonete a casa de chás, de manicure e cabeleireiro a vendedora de cosméticos, de organização de eventos a trabalho artesanal com roupas e sapatos, há uma série de oportunidades atuais presentes em profissões cujos nomes seus pais conhecem.

A diferença está no "como fazer" e na qualidade do serviço oferecido — fator importante, segundo o Sebrae, uma vez que, quando a crise financeira está mais atenuada, as pessoas tendem a exigir serviços e produtos melhores.

Ou seja, não é só gostar de algo, abrir sua micro ou pequena empresa e sair vendendo. Mas, se for para fazer isso, que pelo menos você tenha clareza do que realmente gosta, certo?

Tudo pode começar por ter um hobby

Talvez você tenha chegado até aqui achando tudo isso muito bacana, mas fora da sua realidade. Afinal de contas, abrir um negócio com mínimas chances de prosperar requer, em geral, pelo menos três fatores: 1) dinheiro; 2) planejamento ; 3) experiência na área. E pode ser que você não tenha nenhum deles.

Por isso, antes de cair na utopia do resgate às profissões tradicionais em vôo solo, convém investigar qual área realmente lhe atrai como carreira. Não é porque você gosta de reproduzir pratos do "Masterchef" que vai se dar bem abrindo um restaurante. Nem porque faz as próprias unhas que vai saber tocar um negócio de manicure para o bairro todo.

Porém, o gosto pela área tende a ser o primeiro indício de um bom plano B — desde que trabalhado e "maturado".

Comece sem a pretensão imediata de ganhar dinheiro com o hobby e transformá-lo em uma empresa — cautela altamente recomendável, umas vez que mais de 70% das empresas no País passam por sérias dificuldades já no seu primeiro ano de vida.

Isso mesmo, encontre um hobby que seja, a princípio, apenas um hobby. Para isso, você pode começar se perguntando se ele segue a esses critérios conhecidos da Psicologia Positiva:

  1. a atividade que escolhi é divertida?
  2. é desafiadora? 
  3. é prazeirosa? 

E, depois de aprender algo novo, vem a prática. Para que aquilo se configure como um hobby, tente encaixá-lo na agenda de forma sistemática. Claro que não vai ocupar o mesmo tempo que a atividade que lhe traz o sustento, mas sem praticar fica difícil ganhar segurança e mensurar sua real propensão a fazer daquilo um negócio.

Se você tem um hobby e não encontra tempo para ele, reflita: será que gosta tanto de fazer isso? Talvez não seja uma boa ideia migrá-lo para o âmbito profissional. E tudo bem, deixe seu hobby permanecer como tal e vá com calma se investigando e planejando o que poderia ser uma mudança de carreira.

Já caso você comece a praticar seu hobby e perceba que naturalmente ele vai tomando mais espaço na sua agenda, trazendo o combo prazer/diversão/desafio, vá testando como seria fazer mais dele, oferecendo o produto ou serviço em questão como teste para familiares e amigos.

O "test-drive" informal já começa a dar pistas se aquele pode ou não ser um caminho promissor. Muitos pequenos negócios começam assim.

Empreender, um sonho. Calma lá…

Uma vez que você identificou um hobby com fortes chances de se tornar plano B, pode começar a tratá-lo como profissão. Na prática, isso significa fazer o que boa parte dos microempreendedores faz mas não divulga: entrar em jornada dupla, trabalhar fins de semana, manter uma vida paralela para criar as bases para a nova.

Vale fazer um planejamento e estudar a área por mais que seis meses antes de transformar sua vida de vez. As escolas de gestão recomendam que isso seja feito com um plano de negócio, que calcule os custos para abrir a empresa e fazê-la "girar", traga um estudo de mercado e concorrência, inclua um plano de divulgação e vislumbre um caminho viável para colocar tudo o que foi pensado em ação.

Os dados e a experiência mostram que empreender é difícil, dá trabalho e tem grandes chances de falhar.

Mas ainda assim pode dar certo, trazer satisfação e mudar sua vida — 9 em cada 10 empreendedores que conseguem permanecer no mercado após um ano afirmam estar satisfeitos com essa opção de vida, principalmente pela independência e retorno financeiro que conquistam.

Estou aqui colocando os dois lados da moeda para tirar o romantismo em torno do tema para tratá-lo como o que é: um meio de sustento possível, embora não certeiro, e uma tendência de mercado.

Duas etapas essenciais para a transição profissional

Por mais que seu novo negócio possa ser "apenas" um serviço que você presta, sem requerer investimento inicial nem contratações, recomendo tratar sua transição como seria a de uma empresa um pouco maior.

Aqui vão duas condições básicas de planejamento:

  1. Gerenciar recursos: no caso de alguém que vai atuar como freelancer, por exemplo, isso inclui cortar gastos extras, guardar dinheiro para a hora da transição e começar a faturar algum $ com a nova profissão, entendendo como funciona o fluxo de caixa da nova área de atuação;
  2. Observar as necessidades do mercado: o que inclui se aprimorar na atividade sem perder de vista o que acontece lá foram, criando serviços e produtos mais espertos, adequados às demandas que percebe no mercado, mas que sem a prática não teria como saber. 

Um risco calculado ainda é um risco. Porém, esse processo de transição, que pode levar alguns meses ou até anos, é importante não apenas pela cautela financeira, como também para entender se realmente você quer passar a fazer aquilo a maior parte do seu tempo e com a pressão de ser um trabalho.

 

 

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.