Pensando em fazer mais um curso? Veja essas 7 dicas antes de se matricular

O que você lê, vê, frequenta, paga, ignora… Tudo isso está nas suas mãos, na era da Faculdade Você, onde você é aluna e professora (Foto: Pexels)
Até pouco tempo o caminho para o sucesso parecia linear e certeiro: você estudava muito, passava no vestibular, cursava a universidade, fazia um estágio, era efetivada, fazia pós, pedia um aumento, e assim seguia até, quem sabe, atingir a posição de chefia e se aposentar, mudando uma, duas, três vezes de empresa. Com pequenas variações, essa era a linha do tempo vista como símbolo de segurança profissional.
O cenário mudou tanto que nenhuma das etapas descritas acima hoje é óbvia.
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Você não se sente segura de que, ao sair da faculdade, conseguirá um emprego na área. Inclusive porque a área (e o que aprendeu nas aulas) tende a ficar obsoleta com muito mais rapidez do que antigamente. As promoções também seguem critérios mais complexos; os MBAs não garantem nada; é quase impossível imaginar como será seu cargo ideal em 10 anos…
Não quero fomentar pânico, mas alertar para uma nova maneira de pensar a carreira, considerando a evolução constante como protagonista.
Relatórios de pesquisas de tendências e gurus de carreira convergem em um fato: fazer a curadoria do próprio conhecimento é mais do que um diferencial, uma condição para se manter no mercado de trabalho nas próximas décadas.
Matricule-se na Faculdade "Você"
De certa forma, você já aplicava um pouco disso.
Em certo ponto, escolheu o curso e a faculdade a fazer, pesquisou aquela extensão universitária, matriculou-se em um curso livre no ano passado… Entendeu que cruzar os braços sobre um diploma não funcionava. Talvez já esteja ciente de que não haverá um diploma pronto a tempo de contemplar as dezenas de novas profissões que ainda nem surgiram.
Aí entra o aprofundamento do chamado "lifelong learning" (ou educação continuada). A ideia de que você faz sua própria faculdade, e ela não termina em quatro anos, nem em oito, nem em 12.
Ela não termina, porque a evolução do mercado de trabalho não termina. Porque você pode CONSTRUIR a sua nova profissão.
Claro que o modelo customizado de educação pode incluir cursos tradicionais, exames etc. Mas não se resume a isso.
A educação continuada que proponho aqui requer estar ligada a tudo o que se passa na sua área de interesse, enquanto observa o que muda rapidamente ao redor. Dizer não aos excessos de informação que não acrescentam, procurar formações pouco óbvias… E mais importante: não se contentar em aprender passivamente, mas aplicar o conhecimento.
Existe uma fórmula?
Soa complexo porque o lifelong learning não é uma fórmula facilmente replicável, não tem começo, meio e fim. O que funciona para a outra pessoa pode não funcionar para você.
A própria ideia de "funcionar" fica difusa: em termos de aprendizado e gerenciamento de carreira, pode ser que os conhecimentos sejam acessados de formas inesperadas e em momentos diferentes.
Você pode ir mudando de profissão e suas necessidades irem se adaptando a isso, certo? O que soube até agora pode não ser suficiente, mas ao mesmo tempo pode servir como diferencial…
Em um cenário sem 1 + 1 = 2, o que proponho são dicas para começar a cursar a Faculdade Você e ir aperfeiçoando — assim, no gerúndio — a sua "grade curricular" ao longo do tempo. Ela é sua e precisa de uma aprovação mais importante que a do MEC. Ela serve para levar evolução e resultado à sua vida.
7 dicas para "inaugurar" a Faculdade Você
- Conheça suas dificuldades técnicas para a área atual e as de interesse. Faça uma lista honesta do que não sabe, mas é essencial. Vários dos seus "gaps" profissionais são resolvidos com cursos simples, até gratuitos, basta começar pelos mais importantes.
- Invista em autoconhecimento. É um departamento importante na sua "universidade", porque é nele que treinará as soft skills, as habilidades não técnicas, os verdadeiros diferenciais num futuro próximo.
- Diga não a algumas "propostas irrecusáveis". A mentalidade da educação continuada é fazer uma "curadoria", priorizar, escolher o que mais se adequa ao seu perfil e investir tempo e dinheiro no conhecimento que de fato interessa. Pesquise bastante antes de sair fazendo um curso atrás do outro, desconfie das ofertas e das propagandas que prometem demais. Um curso é um curso, um início. Caso decida se matricular, siga a dica a seguir.
- Aplique 100% do que aprender. Pode ser ligar e contar o que viu de novidade para alguém, publicar um texto, iniciar um pequeno projeto… Conhecimento não aplicado é conhecimento morto: tenha isso como mantra para que sua faculdade particular traga resultados e não sirva apenas como vaidade do tipo "fiz vários cursos neste ano". Se não aplicou nada, fez mesmo?!
- "Estude" antes o que pretende estudar. De extensões em universidades a mestrados e eventos, tudo isso serve como uma base para que comece, ao menos, a ler sobre autores e palestrantes presentes. Consuma algum conteúdo de graça na internet para formar a SUA opinião sobre esses nomes e filtre o que realmente agregará valor à sua carreira e, portanto, valerá o investimento financeiro e de tempo.
- Experimente em vez de só consumir. Ler livros e artigos, assistir a aulas ou a vídeos, comparecer a eventos… Tudo isso vale menos se você não internalizar o conteúdo. Assim como não aplicar o conhecimento depois, não mergulhar nele pode deixar tudo superficial e perecível. Está diante de uma nova tecnologia? Não se amedronte, teste! Propuseram um desafio? Tente! A mão na massa e o compartilhamento aceleram o processo de converter informação em conhecimento.
- Avalie os resultados. Em vez de provas, você terá a autoavaliação. De tempos em tempos, reveja tudo o que tem feito no seu plano de evolução pessoal e profissional e meça os avanços. Pergunte-se se focou nas coisas certas, se sente evolução, se conseguiu aplicar algo novo à sua carreira e qual é o próximo passo. Medir os avanços no meio do caminho é fundamental. Uma ideia: faça isso pelo menos de 6 em 6 meses.
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