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Quem tem medo de TikTok? Como o app chinês pode te ajudar na carreira

Bru Fioreti

28/01/2020 04h00

Abrir à mente ao novo e testar o diferente: uma postura não para o TikTok, mas para a carreira toda (Foto: Pexels)

Na semana passada, contei para os meus seguidores — cuja maior base está no Instagram — que ia começar a publicar pílulas de 1 minuto no TikTok. Que isso era uma tentativa de levar conteúdo para essa nova e crescente rede e que veria como a coisa toda evoluiria.

Sim, agora ia ter conteúdo extra além do que já faço no Instagram, no YouTube e aqui na coluna semanal de Universa.

Acompanha quem quer, zero razões para ficar contrariado, certo?

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Errado. Uma parte curtiu, mas choveram mensagens cujas reclamações iam de "pra quê? só tem criança lá!" a "não gosto de TikTok, vou ter que baixar mais um aplicativo?!".

Compreensível a rejeição a acompanhar mais uma rede num mundo coalhado de informações e redes sociais e igualmente compreensível não curtir o TikTok, que tem uma dinâmica diferente do Instagram e é mais povoado por pessoas entre 16 e 24 anos (mais de 40% do seu público do app).

Mas isso me fez pensar sobre a (falta de) visão estratégica de quem deseja trabalhar sua marca pessoal no ambiente online.

Sobre o apego que desenvolvemos a determinados aplicativos ou ferramentas mesmo cientes de que, inexoravelmente, vão mudar ou desaparecer ao longo dos anos.

E mais: sobre como isso ilustra bem a nossa postura diante do novo, o que reverbera em todas as esferas da vida, inclusive na carreira.

Você é que tipo de profissional: o que ao vir uma tecnologia nova vibra e pensa em como lançar mão daquilo para crescer ou o que a rechaça logo de cara, com um medo velado manifestado em forma de desqualificação da novidade?

Uma boa reflexão em tempos de carreiras voláteis.

TikTok e marca pessoal

Não existe uma resposta certa sobre como trabalhar branding pessoal na rede social chinesa. Aliás, em nenhuma.

Mas as demais já são conhecidas, então temos mais pistas de como nos portar ali para favorecer a imagem profissional que desejamos projetar. No Instagram, um misto de vida pessoal com profissional. No LinkedIn, costuma-se apostar em artigos e interação na timeline.

Porém, convenhamos, não há fórmulas. Até porque a estratégia de branding pessoal varia de acordo com o objetivo e as características da pessoa.

Mas ignorar a ascensão de um colosso como o TikTok é ignorar um movimento.

Segundo app mais baixado em 2019, ele potencial para ultrapassar a concorrência neste ou nos próximos anos. Vai acontecer? Não sabemos. Lembra, por exemplo, como o Instagram abafou o Snapchat? Pode acontecer novamente. A criação da função Cenas e o incentivo ao uso de vídeos no feed de notícias são alguns dos movimentos do Instagram para competir com a novidade.

Mas as empresas estão de olho e se você está no mundo corporativo também deveria estar.

Na última semana, uma grande corporação anunciou a contratação de um diretor de marketing usando como um dos critérios a produção de um vídeo de 60 segundos no TikTok. Foi a forma que arrumaram de avaliar a criatividade na primeira etapa do recrutamento.

Ainda assim, pelo menos hoje, a discussão é menos sobre o TikTok em si e mais sobre o que ele representa.

Alguns aspectos sobre isso:

  • O TikTok nasceu em 2016, em 2017 a empresa que o detém comprou o Musically (que já tinha uma base forte de adolescentes e que era focado, como o nome diz, em música, dublagem etc). Por isso, o entretenimento é o coração do app. Em meio a tantos problemas e notícias ruins, o ser humano continua a buscar escapismo. Como isso pode ser usado por você?
  • Outro aspecto que seus usuários defendem é que ele é mais real e espontâneo, em contraposição ao Instagram, entendido como "fake" pelo público mais jovem. É a visão da geração Z, que influencia as demais e representa uma busca geral por autenticidade. Como você se encaixa nisso?
  • O conteúdo breve não é o único caminho, claro. Mas a ascensão do TikTok sinaliza que há muita gente interessada no formato. Aliás, o vídeo está ultrapassando os 80% do total de tráfego da internet neste ano — mais um dado que mostra a força dos vídeos tanto para ações de empresas quanto para marca pessoal. É o que as pessoas majoritariamente. querem consumir.
  • Tudo isso mostra um movimento, não uma lei. Obviamente você pode ir na contramão para trabalhar seus aspectos profissionais. Pode não usar TikTok. Pode nem usar as redes sociais! A criatividade pode, sim, residir aí. Mas até para ir na contracorrente, não convém entender a corrente?!

Abrindo a mente na prática

Abrindo ou não sua conta no TikTok, considere observar mais atentamente sua ascensão adotando o chamado mindset de crescimento, cunhado pela pesquisadora Carol Dwek em sua famosa pesquisa. Manter-se aberta ao novo, com um olhar curioso, valorizar o esforço (inclusive para entender esse novo e lidar com ele).

Aproveito para lembrar a pesquisadora e fundadora do projeto Voicers, Lígia Zotini, que já tive o prazer de entrevistar e que costuma incentivar a experimentação da tecnologia como forma de perder o medo dela e de conseguir se familiarizar mais com o futuro. É novo? Você não entende? Não rejeite: vá lá e toque, tente, experimente.

As coisas deixam de parecer um bicho de sete cabeças assim.

A tecnologia e as tendências não vão embora só porque você as ignora ou não gosta delas. Se rede social é ferramenta importante para seu trabalho, ao menos olhe para isso. Se não for, lembre-se de que as gerações mais antigas são influenciadas pelas mais jovens — sempre foi assim.

Não seja o emburrado que fala mal "dessas modernidades" só porque tem medo do novo. Até para rejeitar, pode ser mais esperto compreender. Sua carreira daqui para frente depende dessa postura.

Não é o TikTok, é o mundo que se apresenta nos próximos anos.

Ps. Eu também não me sinto exatamente em casa nele, tá? Adaptei um formato para fazer o que a Lígia Zotini recomenda e me experimentar nessa rede social mesmo sem ter certeza se é um formato OK, se funciona ou se vou continuar. Mas fui dar minha cara a tapa, porque acredito que construção de marca pessoal tem disso, especialmente em um mundo sem limites claros entre online e offline (essa separação seria o fake que a nova geração rechaça).

Essa é a minha visão. Que você experimente também e forme a sua.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

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