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O que você faz de melhor? Aprenda a usar isso para dar uma guinada em 2020

Bru Fioreti

10/12/2019 04h00

Quão animador é começar a fortalecer o que já tem de bom profissionalmente em vez de focar nos seus gaps? Foto: Pexels

Parece difícil aceitar que podemos ter uma carreira bem-sucedida focando no que somos boas.

É, a gente aprendeu a lutar contra a ideia de que é possível ter felicidade profissional e ganhar dinheiro com o que gostamos de fazer. A gente associa trabalho a um esforço negativo (aliás, associa o esforço em si a algo negativo), a sofrimento, se culpa se as coisas "caírem no colo". E quando alguém diz que podemos aproveitar nossos talentos e propensões para ganhar a vida soa ingênuo e até falacioso.

Cada vez que dou um dos meus treinamentos de carreira e branding pessoal reitero essa percepção. Não uma ou duas mulheres, mas muitas delas têm entraves para associar "fazer o que amo" e "ser bem-sucedida, inclusive financeiramente".

No entanto, a prática mostra que não é nenhum absurdo.

A maioria das pessoas mais bem-sucedidas em suas áreas de atuação aproveitaram suas facilidades naturais, as desenvolveram e, com treino, estudo e (muita) prática, as levaram ao próximo nível para se destacar. Ralaram muito no caminho e ainda ralam, aprendem sobre novas áreas, sim, mas não perdem de vista o que as fez chegar ali: o que têm de bom, o que faz seus olhos brilharem, os assuntos dos quais nunca se cansam.

Anotou isso?

  1. o que têm de bom
  2. o que faz seus olhos brilharem
  3. os assuntos dos quais nunca se cansam

Já pensou que sua guinada profissional pode vir de, enfim, abraçar o que te apaixona e empacotar isso de uma forma que satisfaça alguma necessidade do mercado?

Pois vem pensar.

Uma abordagem positiva, mas não ingênua

Se você quiser acelerar seus resultados na carreira, é hora focar nas qualidades, no que já tem de bom, em vez de se esforçar o dobro para mascarar ou se tornar mediana no que não é boa.

Eu sei: muitas vezes você não pode fazer isso de imediato, precisa preparar uma transição profissional para chegar lá. Mas e daí?

Tomada a decisão de focar no positivo, pode começar aí, exatamente de onde está, a estudar e praticar, abraçando o que veio no "pacote você" no paralelo. Vai trabalhando no que está hoje e se tornando melhor na nova seara.

Temos uma tendência a minimizar o que sabemos fazer com os pés nas costas. Comece agora a lutar contra isso: o que fácil para você não é fácil para o outro. Eis a oportunidade de ser pago por isso.

E os gaps profissionais, não fazemos nada com eles?

Não é bem assim. Se você tem um problema no trato com as pessoas e ocupa cargo de liderança, é recomendável que melhore na comunicação e na empatia. Caso seja uma pessoa tipicamente de Humanas e tenha começado a trabalhar numa empresa que lida com dados e esfera digital, não adianta espernear: é bom que entenda o básico da linguagem para se comunicar bem com o time de desenvolvedores.

Só não precisa se tornar expert nisso, entende? Não deveria gastar a maior parte do seu tempo e da sua energia com aquilo no qual dificilmente vai ser brilhante ou ter prazer em fazer.

Para conseguir resultados profissionais melhores, o caminho é se tornar espetacular no que já é boa, ou pelo menos no que já é apaixonada. O interesse profundo faz maravilhas pelo aprendizado!

E talvez a sua dúvida agora seja a definição de qual a habilidade desenvolver. Para isso, fiz o roteiro a seguir.

Veja também:

Como descobrir "a" habilidade e usá-la melhor em 2020

  • O que faço bem desde criança?
  • O que para mim é ultratranquilo de fazer e para os outros não?
  • Por qual habilidade sou sempre elogiada?
  • O que me dá mais prazer de fazer?
  • O que me faz perder a noção do tempo e de onde estou enquanto executo?
  • O que faria até de graça na vida?
  • O que já sei, mas sempre gosto de estudar e aprender mais?
  • Que assuntos sempre estão no topo dos meus interesses?
  • O que amaria praticar e estudar mais?
  • O que me apaixona?
  • Do que nunca me canso? (que assunto, atividade, prática…) 

E aí, diante dessa autoinvestigação, cabe se perguntar:

  • O mercado hoje aceita bem/valoriza o que eu tenho de melhor?
  • Como posso usar essa minha habilidade para resolver problemas de mais pessoas?
  • Qual o próximo passo que preciso dar para comunicar melhor minha habilidade?
  • Qual o próximo passo para começar a lapidar minha grande habilidade a partir de agora?
  • Como posso tentar inserir mais dela na minha prática do trabalho? 

Esse roteiro serve para que você leve para a prática a habilidade que decidiu masterizar — aquela na qual decidiu tornar-se mestre, especialista. Sem imaginar como vai comunicar ao mercado e fazer dela um bom negócio, isso tudo aqui fica na esfera da satisfação pessoal e do hobby e não da carreira.

Tudo bem, se for seu objetivo.

Mas, para testar a ideia de usar suas propensões naturais como diferencial de carreira, sugiro escolher a habilidade usando o primeiro questionário e decidir se esmerar nela.

Então, passar a focar nisso e a comunicar a decisão para mais pessoas com o tempo, levando a construção da sua marca pessoal para determinada especialidade e um nicho específico, aquele que valoriza e contrataria o que você tem a oferecer.

É uma estratégia pró-vocação que já deu certo para muita gente, por que não com você?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

Blog da Bru Fioreti