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Comecei a trabalhar por conta, e agora? Veja a solução para 5 neuras comuns

Bru Fioreti

15/10/2019 04h00

Solidão empreendedora: ela atinge os neoempresários que começam a entender que cada decisão pesa e muito (Foto:Pexels)

Você enfim saiu do emprego e decidiu trabalhar por conta própria. Tudo lindo. Mas aí descobriu o que todo empreendedor, do maior ao menor, sabe: que o processo todo pode ser muito, muito solitário.

Não que você esteja isenta de tomar decisões quando segue uma carreira corporativa, por exemplo. Mas existe uma sensação de decidir menos, porque sempre há alguém acima da gente batendo o martelo. Se aquela decisão não for a melhor, pode até te impactar, mas o nível de comprometimento dificilmente é o mesmo.

Você pode não gostar, não concordar, mas uma hora ou outra desapega e volta a cuidar do seu quadrado.

Quando é a própria chefe, e a empresa é composta apenas por você, cada microdecisão pesa. Todas parecem importar, e importam mesmo. Daí vêm as agruras do que chamo de solidão empreendedora.

O que começa a amenizar essa sensação é a agradável verdade de que você não está tão sozinha assim…

As cinco neuras que listo a seguir, por exemplo, acontecem com quase todas nós em jornada solo. E, para saber lidar com elas, basta colocar a cabeça no lugar.

Mais ou menos assim.

1) Devo focar em uma área só ou tentar várias?

A clássica indecisão de nicho é uma das primeiras que a gente enfrenta quando decide trabalhar sozinha.

Afinal, toda escolha vai significar abrir mão de algo. Mas, em mercados ultrassaturados, escolher um nicho de atuação é inteligência. Quanto mais saturado for o que você trabalha, mais deve se manter firme na ideia do nicho, de focar em um mercado/audiência específico.

Sugestão: niche sem nichar. Explico: nesse comecinho de carreira solo, você pode começar trabalhando em mais de uma área, até três áreas, mas comunicar mais apenas uma. Você pode prestar vários serviços ou vender várias coisas, por exemplo, mas só produzir conteúdo de marca para um deles, o setor mais promissor ou diferenciado.

Assim, você continua pagando as contas com a diversidade de serviços, mas não perde a chance de já ir se posicionando no mercado como um nicho. Quando sentir que está se fortalecendo no nicho, naturalmente vai ficar mais confiante e investir nele.

2) Devo reinvestir o que ganhei desde já?

Se você fez um investimento inicial e ele deu retorno, deveria guardar tudo aquilo, comemorar sem medo de ser feliz ou reinvestir um pouco mais no próprio negócio? Em geral, os especialistas em business te indicarão reinvestir no negócio, para que ele possa crescer.

Tão pouca gente faz isso…

Já atendi clientes no processo de business coaching que sequer tinham estabelecido um pró-labore, tudo o que ganhavam simplesmente era dividido pelas sócias como salário. 100%. Algo que evidentemente recomendei que mudasse. Por quê? Para a empresa ter um colchão mínimo, para poder contratar ou ampliar, para garantir salário nos meses em que não entrasse nada — dependendo do ramo, isso é perfeitamente normal.

Sugestão: ao menos separe as contas da empresa das suas pessoais por menor que seja sua empresa! Determine um salário fixo e tente guardar o excedente para meses de vacas magras. Aprenda ainda que o rendimento da empresa você calcula dividindo por 12 o que ganhou no ano, e não necessariamente se apegando a este ou aquele mês melhor ou pior.

Observar os ganhos e gastos sob uma perspectiva mais macro vai te trazer organização e paz. Pare de torrar tudo o que entra e separe as searas.

3) Devo contratar equipe ou ficar por conta própria?

Mais uma das angústias da neoempreendedora sem resposta pronta. Há quem sugira que você otimize seu tempo fazendo o que sabe de melhor e delegando o que não sabe. Mas essa decisão depende de vários fatores, entre eles seu próprio desejo — ou não — de fazer a empresa crescer.

É, porque não há problema em querer continuar sendo a empresa de uma mulher só!

A única coisa a pesar é que se quiser continuar sozinha, vai ter que ser seus departamentos de marketing, vendas, jurídico, financeiro etc. Você dá conta?

Sugestão: comece com cautela, contratando freelancers para fazer as tarefas que delegaria a um funcionário. Assim você testa a possibilidade, mas sem se comprometer tanto. Estabeleça um prazo para avaliar quão vantajoso foi cada investimento, seis meses por exemplo.

Sugiro realmente pensar na sua empresa como a junção dos departamentos que listei acima. Se você leva o maior jeito para cuidar do departamento financeiro, mas é um terror no de marketing, vai precisar estudar mais e se aperfeiçoar neste ou contratar alguém para te ajudar nele.

Não importa quão micro seja sua empresa, liste os departamentos dela e dê nota. Em seguida questione: como posso melhorar esse departamento daqui em diante com os recursos que tenho?

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4) Devo achar alguém pra fazer sociedade?

Conforme a solidão empreendedora bate, pode vir com ela a vontade de se associar a alguém. É tanta gente contando histórias bacanas de união em empresa, por que não, né?

Olha, não tenho absolutamente nada contra isso, mas nos últimos anos como business coach tenho visto muitas parcerias feitas por insegurança. Um sócio precisa entrar porque te agrega em alguma coisa ou em várias, porque complementa você na empresa, e não porque vai te dar mais segurança, apenas.

Sugiro refletir sobre as razões de querer se associar a alguém.

Até porque, além das muitas burocracias que envolvem uma sociedade sacramentada, existe o fator cobranding — a associação da sua marca com a da outra pessoa –, que fica muito intenso nesses casos. Os atributos de marca pessoal daquela pessoa agregam à sua? É um ganha-ganha?

Sugestão: vou dizer aqui o que já recomendei a clientes com a mesma dúvida, que é ter parceiros por projeto. Você não precisa necessariamente começar abrindo uma empresa com alguém, já dividindo um baita investimento e gerenciando pepinos homéricos com alguém que mal conhece. As chances de dar problemas são imensas.

Em vez disso, faça colaborações e parcerias pontuais. As que forem dando certo vão sendo replicadas e, quem sabe, podem vir a se tornar uma empresa conjunta. Para que tanta ansiedade? Faça testes.

5) Devo fazer conteúdo de graça ou cobrar?

Um dos paradoxos de marketing digital mais conhecidos é que quanto mais conteúdo oferece, mais você vende. Isso intriga e traz insegurança para quem está começando a divulgar seus produtos ou serviços porque, claro, parece que você vai entregar o ouro e que depois disso ninguém vai querer pagar por ele.

De uma vez por todas: não é assim na prática!

Quando você oferece conteúdo de qualidade, constrói autoridade no mercado e passa a ser reconhecida por mais pessoas. Com isso, as pessoas tendem a querer mais do que oferece. Além disso, certamente seu produto/serviço terá algo mais pelo qual vale o investimento. Seja conteúdo adicional, seja um método, seja um "empacotamento" especial daquilo…

Cobrar por conteúdo pode ser uma opção, mas antes você precisa oferecer algo digno da atenção e da indicação dos seus seguidores.

Sugestão: pare de pirar com medo de entregar o conteúdo ou ser copiada e comece a fazer da produção de conteúdo um dos departamentos mais organizados e consistentes da sua empresa. Simplesmente porque funciona! Claro, funciona se o que você produzir realmente tiver valor para seu público, tiver qualidade.

É uma estratégia que começa de graça (você só precisa criar um perfil na rede social que mais tiver a ver com sua área) e que ajuda tanto no branding (a gestão da sua marca para que se torne conhecida e reconhecida) quanto no marketing (o relacionamento com o cliente para posterior conquista/venda do que oferece).

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

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