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Sua carreira está dando certo? Aprenda a mensurar seu sucesso em 5 passos

Bru Fioreti

01/10/2019 04h00

Qual é a sua métrica de sucesso? Comece pensando no que te faz feliz no dia a dia profissional, no que traz prazer e significado (foto: Pexels)

Você já pensou em qual é a sua métrica de sucesso?

Refiro-me à maneira como mensura no dia a dia se está ou não sendo bem-sucedida.

É um conceito que uso para diminuir o peso da comparação e ajudar a lidar com as dúvidas decorrentes da solidão profissional, que gera uma baita insegurança: será que deveria estar fazendo isso mesmo? fiz a escolha certa? deveria estar ganhando mais? fazendo mais? fazendo menos? devo mudar de área de novo?

Nessa hora, ajuda muito ter olhado para dentro e gastado alguns minutos para estabelecer sua própria forma de "medir" o sucesso, escrevendo critérios próprios de satisfação na carreira.

Para encontrar essa fonte de felicidade profissional no cotidiano sem perder o foco do macro, tracei o passo a passo a seguir. São 5 etapas para guiar a criação da SUA métrica de sucesso. Realizando e mais consciente dessas realizações no dia a dia, você diminui o peso da comparação e foca o máximo possível nos seus resultados, no que te importa!

É um misto de propósito, ressignificação do dinheiro, plano de autoeficácia e foco.

Vamos aos passos.

1) Priorize a evolução e o processo

O que é sucesso pra você?

Saber a resposta para essa pergunta pouparia uma porção de frustrações, comparações infrutíferas e decisões equivocadas na sua trajetória profissional.

E talvez você até já tenha uma boa resposta, mas muito provavelmente (arrisco dizer) calcada demais em um resultado específico, um pote lá no final do arco-íris. Enquanto não chegar a esse pote, ah, não vai ser sucesso e felicidade de verdade.

Todos os estudiosos de Psicologia Positiva, a ciência da satisfação com a vida, reiteram que calcular a própria felicidade pensando apenas em um resultado lá na frente é um convite à frustração.

A felicidade, inclusive no campo profissional, mora no presente, no hoje. Se esse pote no fim do arco-íris for uma quantia em dinheiro, pior…

Não me entenda mal: é desejável e saudável ter metas profissionais, objetivos específicos financeiros e um plano de carreira bem delineado. Isso ajuda a ganhar foco e confiança no processo e poupa tempo com distrações.

Mas não serve, por si só, como métrica de sucesso, porque pode nos deixar frustradas a maior parte dos dias.

Para isso, vamos trocar "o que é sucesso" por "o que faz você se sentir bem-sucedida?"— algo que aprendi em um treinamento de Psicologia Positiva com a Villela da Matta, da SBCoaching.

Responda a essa pergunta pensando no que a faria se sentir bem-sucedida todos os dias, focando, portanto, no processo, na evolução constante. Uma métrica de sucesso realista começa por aí: saber que evoluiu um pouquinho todo dia. Se está melhor que ontem, já tem um ótimo começo.

2) Faça a pergunta que não quer calar 

Ou as perguntas, mas aquelas que te levem a entender esta: "O que eu gosto de fazer e posso entregar de melhor para o mundo com meu trabalho?". 

Encontrar um propósito vinculado ao trabalho é um eficiente atalho para a felicidade, porque ajuda a encontrar razão para fazer o que faz e aumenta a resiliência — claro, se você tem um "porquê" para estar ali tende a ficar mais ligada no todo e menos preocupada com os revezes e os pormenores chatos.

Então, vale a pena se perguntar como pode usar o que tem de melhor para fazer algum bem, uma sensação boa de exercer sua vocação (ou uma delas) e levar significado ao dia a dia, mesmo se o trabalho em si não for dos mais prazerosos.

Se não encontrar a resposta, ou achar que seu propósito está mais conectado ao que faz em casa ou em um voluntariado, por exemplo, tudo bem.

Tente apenas encontrar algo mais do que bater o ponto, ainda que seja focar nos pequenos prazeres do dia a dia profissional.

Ser feliz, segundo o psicólogo de Harvard Tal Ben-Shahar, é um misto de prazer e significado. Quanto mais de um ou de outro tiver nas suas 8h de labuta, melhor. Está aí mais uma sementinha para compor sua métrica de sucesso.

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3) Não quantifique o sucesso só em dinheiro

Ter meta financeira é uma coisa. Achar que ganhar dinheiro é sinônimo de sucesso é outra. Por mais que você possa considerá-lo como uma de suas métricas, convém lembrar que os grandes estudos sobre felicidade demonstraram que dinheiro, de fato, não é eficiente em aumentar a felicidade. 

Em 2018, por exemplo, o Instituto Gallup comandou uma pesquisa com 1,7 milhão de pessoas em 164 países. O resultado foi que depois de ter uma certa quantia em dinheiro (em torno de 60 a 75 mil dólares anuais) ganhar mais não fazia diferença para aumentar os níveis de felicidade.

De verdade, descobriram que ter quantias maiores diminuía a satisfação com a vida, não pelo dinheiro em si necessariamente, mas pelos fatores adjacentes, como sentir que tem menos tempo, fazer menos atividades prazerosas, os valores…

O que nos interessa aqui é: dinheiro, por si só (uma vez que você já conseguiu o que precisa para viver bem), não tende a "resolver" sua felicidade. Para isso, é mais jogo pensar em outras métricas de sucesso: diferentes tipo de reconhecimento, o prazer de entregar algo que queria, realizações específicas da sua área de atuação, estar sempre aprendendo algo diferente, se desafiar a fazer coisas novas etc.

Claro, tenha suas ambições financeiras enquanto cuida do que gasta, do que guarda e do que ganha. Só não limite sua felicidade profissional a isso porque simplesmente não funciona.

4) Trabalhe em planos trimestrais  

Para manter a sensação de realização em alta, recomendo que você troque o hábito de fazer planos anuais por fazer metas trimestrais, mais facilmente mensuráveis e mais palpáveis. É uma maneira inclusive de desapegar do viés financeiro do trabalho, uma vez que é mais raro aumentar ganhos substancialmente de três meses em três meses.

Pergunte a si mesma:

  • o que anda me empolgando?
  • no quero de verdade trabalhar pelos próximos meses?
  • o quero estudar ou gostaria de me aprofundar?
  • qual projeto posso entregar nesse período?
  • o que vai me deixar confiante e satisfeita por ter feito em 3 meses?

Escrever essas metas e checar se realizou dali a a três meses vai aumentar sua autoeficácia — a crença na sua capacidade de realizar — e dar gás para fazer isso de novo e de novo. A autoeficácia é um dos pilares da construção de autoconfiança: com pequenas metas e realizações, você se mantém em ação e motivada para continuar nessa toada.

Com a métrica de sucesso focada em pequenas realizações e satisfação mensurada a cada três meses, você não esmorece, sempre vai ganhar uma pílula de automotivação.

5) Elimine o ruído e mantenha-se no plano 

A grande vantagem de elaborar a sua própria métrica de sucesso é não depender da dos outros.

Para outra pessoa, ficar milionário pode ser incrível, mas pode não fazer sentido para você. Para fulana, seria espetacular ganhar aquele prêmio; pra você pode ser mais legal tirar 30 dias direto de férias. Para aquela outra, o ápice é ser convidada para um cargo alto em uma multinacional; pra você continuar empreendendo na sua empresa de uma mulher só talvez seja o cúmulo do cool!

Uma vez que você sabe quais critérios utilizar para saber se está sendo bem-sucedida — nas esfera pessoal e profissional, porque, sim, elas andam juntas –, pouco importa o que os outros dizem!

Mas para isso te convido a eliminar ruídos: ter cuidado com comentários que não condizem com o que te importa; recusar-se a fazer programas ou trabalhos que fujam do seu propósito ou do seu plano trimestral; ter cautela com a perda de tempo com os objetivos e a agenda alheios (cada um tem seu objetivo; cuidar do seu é a prioridade).

O que não agrega ao seu plano e não te completa como pessoa e profissional, é ruído. Esse foco vai acelerar seus resultados e, se eles estiverem alinhados com sua métrica de sucesso como um todo, vai aumentar o que de fato importa: a sua felicidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

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