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Não sossega em nenhum trabalho? Descubra que critérios usar antes de mudar

Bru Fioreti

17/09/2019 04h00

Avaliar as finanças, considerar o impacto no currículo e praticar a auto-observação : não pule de galho em galho sem fazer isso (Foto: PEXELS)

Mudar de ideia, mudar de planos, mudar de ares, mudar, mudar…

Se você faz a linha inquieta no trabalho deve ter: 1) medo de ser julgada por algum recrutador; 2) dificuldade de se sentir autoridade em algum tema; 3) achar que tem algum problema com você.

Sobre a história do recrutador, fato: pular de trabalho em trabalho passa uma mensagem de pouca resiliência e eventual instabilidade. Se você vai tocar sua carreira assim, sugiro ter boas respostas na ponta da língua e saber que pode ser descartada em concorrências que não cheguem ao olho no olho, e sejam só via currículo tradicional.

Sobre ter dificuldade de se saber muito sobre algo… fato. Como se aprofundar sem experimentar o assunto por um período razoável? A maturação de qualquer habilidade requer tempo, não à toa o período de experiência dura pelo menos 3 meses.

Toda mudança é desconfortável e, paradoxalmente, pesquisas mostram que é nessa fase que a gente absorve mais informações. Então, abraçar o desconforto por um pouco mais de tempo deveria ser uma atitude estratégica para você considerar de hoje em diante.

Para abraçar o desconforto, porém, é preciso permanecer onde está mesmo quando tudo não está fluindo maravilhosamente. Requer um autoacordo em prol do seu desenvolvimento profissional.

Não se engane: às vezes é só trocar de problema

Já sobre ter "alguma coisa errada com você" porque não sossega profissionalmente… meu palpite (baseado em experiência) é que não. Não é algo errado, é um comportamento para ser ajustado.

As mudanças excessivas de trabalho geralmente se dão por baixa resiliência, que é a capacidade de voltar ao eixo, ao estágio anterior, rapidamente mesmo tendo passado por algum revés. Uma soma de flexibilidade + tolerância + inteligência emocional, ou a falta disso tudo.

Exemplo: se você se cansa dos trabalhos por causa das pessoas, lamento, mas em geral está apenas trocando de problema.

Caso o faniquito de sair tenha a ver com a ânsia de testar coisas novas, é bom considerar que isso pode ser feito no mesmo trabalho e também por meio de hobbies, planos B…

Além disso, reflita se isso de ansiar por novidade o tempo inteiro não vai te impedir de se tornar especialista, de se aprofundar em algo. Aprender sempre é bom, mas pode ser sobre o mesmo tema, entende?

Pode não ser o que você quer, claro.

Só considere que você não vai ser autoridade em nada se mudar de segmento toda hora. Porque, por mais acelerado que esteja o mundo, sua curva de aprendizagem é a mesma e precisa da tal da maturação, do tal do platô, como já expliquei aqui na coluna.

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Ansiedade X birra X carreira slash

Outro fator que pode estar fomentando a vontade de mudar em você: a FOMO profissional (Fear Of Missing Out no âmbito da carreira): achar que está sempre perdendo alguma superoportunidade, que o trabalho das pessoas é mais interessante, desafiador e bem pago que o seu.

Já pensou isso? Se sim, tome cuidado com as redes sociais, informe-se para além do seu feed do Instagram e do Facebook se quiser saber de fato como são as empresas….

Essa ansiedade por conhecer novos lugares e até abraçar novas profissões — sim, porque a mudança em série pode não ser de trabalho, mas de carreira — tem eco nas gerações atuais que, de fato, terão várias profissões ao longo da vida e abraçarão o formato slash. Lembra que falei dele? Ter uma carreira/outra/aquela outra. E viver com esse combo de profissionais numa boa.

Isso é diferente de não aguentar crítica e de forma mimada recusar-se a continuar em uma área só porque nem tudo deu certo como você gostaria.

O que é dar certo, afinal?

Pergunte a profissionais de qualquer área experientes e eles te dirão que é sobre cair e levantar, testar novas habilidades e explorar novos cenários, mesmo dentro da mesmíssima cadeira, da mesmíssima empresa. Não é porque você recebe um não que "não dá pra coisa".

Quando mudar de trabalho ou de área?

Uma coisa é vontade de mudar de ares (legítima, porém nem sempre a ser executada de forma acelerada e impensada). Outra é estar de fato estagnada, perdendo tempo e repetindo mecanicamente o que faz.

Muitas vezes a gente sente que está estagnada, mas é só a fase de aprendizado mesmo. Ou acha que estagnou porque domina a parte técnica do trabalho, mas está precisando é evoluir nas soft skills (as habilidades não técnicas, como criatividade, comunicação ou empatia).

São elas as que mais desenvolvemos tendo que aturar quem não gostamos ou lidar com quem temos pouca afinidade, por exemplo.

Se você leu isso e ainda assim pensou: não, no que faço hoje eu não aprendo absolutamente nada, são outros quinhentos. Tente oferecer projetos novos, mudar de área ou, se trabalhar por conta, procurar novas atividades para incrementar a profissão.

Não custa lembrar que sempre se pode começar um plano paralelo de mudança de carreira, que ocupe noites ou fins de semana, e constitua uma nova área de atuação. Até para preparar as finanças para a mudança que planeja.

Outro aspecto: fazer mais de uma coisa e se dedicar a um novo projeto é um combo interessante para avaliar se dissipar a atenção das tarefas do dia a dia não vai, por si só, ajudar a desanuviar e te manter feliz em todas as áreas.

Pode ser cansaço…

Observe, por fim, se não é um caso de cansaço extremo, que pode caminhar para uma Síndrome de Burnout. Começar a adoecer demais, ter vontade de chorar ou de brigar o tempo todo, levantar da cama exausta e sem vontade de ir, sentir-se perseguida ou julgada… esses são alguns sinais de observação.

O mesmo vale se a empresa for sua, tá? Aprenda a separar apego com o projeto de performance, e a definir hora de trabalhar e hora de descansar (muitos empresários se gabam de não ter isso definido e, sinceramente, é uma péssima abordagem para a saúde mental).

Cuide de você, cuide da empresa, e tente ter uma lente neutra para o que é problema e o que é cansaço.

Clareza, tudo começa por aí.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

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