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Você dorme bem? Veja por que o sono é a habilidade do futuro no trabalho

Bru Fioreti

06/08/2019 04h00

O sono recupera o corpo e a mente e, na era da ansiedade, pode ser um diferencial para a produtividade (Foto: PEXELS)

Parece um paradoxo, mas cada vez mais a alta performance vem sendo relacionada à capacidade de se desconectar, promovendo a necessária recuperação do corpo e da mente para aproveitar o tempo e entregar mais e melhor num intervalo menor.

É por isso que, quanto mais estudo sobre produtividade, mais percebo que dormir, meditar e descansar são as habilidades do futuro, as que vão diferenciar os profissionais produtivos dos improdutivos, estressados e acometidos pela fadiga de decisão.

Digo sem medo de errar: o hype dos workaholics está acabando, e os profissionais que equilibram as diferentes esfera da vida serão mais valorizados. Isso aumenta o rendimento, graças ao incremento dos níveis de satisfação no trabalho. E a geração Z, que começa a entrar no mercado e influenciá-lo, valoriza não longas jornadas e a tradicional hierarquia, mas o balanço na vida e uma cultura horizontal.

Soft skills e descanso

Entre as habilidades valorizadas daqui em diante, estão as menos técnicas e mais humanas, chamadas de soft skills, como criatividade, comunicação e relacionamentos.

O problema é que a exaustão causada pela insônia pode afetar o humor e o próprio funcionamento do cérebro, dificultando o desenvolvimento ou pelo menos a expressão dessas competências — como já expliquei diversas vezes aqui na coluna, citando estudos de neurociência.

Tanto que há uma indústria crescente relacionada a bem-estar, a métodos antiestresse e ao sono em si. Cada vez mais se associa o frenesi da vida moderna, hiperconectada, a uma ansiedade que começa parecendo natural, mas pode migrar para problemas sérios — e disso os profissionais da área da saúde sabem bem.

Bem-vindas sonecas

Há alguns fatos curiosos sobre o sono.

Por exemplo, o fato de as sonecas serem benéficas, assim como as pausas para caminhadas depois do almoço, as paradas para o cafezinho entre reuniões e as meditações ainda que de 5 minutinhos depois de trabalhar por um período longo. 

Nerina Ramlakhan, médica e autora do recente livro "The Little Book Of Sleep" (algo como "O Pequeno Livro do Sono"), defende não só as sonecas ao longo do dia (a siestas, comuns em países como Espanha) como explica que muitas vezes dormimos até de olhos abertos. Isso acontece, por exemplo, quando você lê um livro à noite e no dia seguinte não se lembra de absolutamente nada — segundo ela, isso é uma espécie de pré-sono.

Outro ponto interessantíssimo do livro de Nerida é que é comum e aceitável acordar no meio da noite. Ela explica que esse sono "picado" era comum entre nossos ancestrais e que mesmo sem que a gente se dê conta muitas vezes desperta entre 2h e 4h da manhã.

Não há mal nisso, diz a especialista. A não ser pelo fato de as pessoas começarem a se preocupar e a se cobrar quando despertam na madrugada. O pensamento recorrente é que o período insone vai provocar cansaço no dia seguinte e por isso deveria cumprir o que se convencionou como a quantidade de horas ideal no sono. E aí vem o drama da ansiedade.

Veja mais

Como eu posso dormir e render melhor?

  • Tente não brigar com a insônia. Existe um ciclo vicioso de não dormir e começar a ficar ansiosa com isso  que tende a aumentar a tensão e a própria insônia. Essa ansiedade vinculada ao sono é tambem esmiuçada nos artigos e livros da australiana Sarah Wilson, mais conhecida pela sua defesa da dieta sem açúcar como forma de diminuir os efeitos de doenças autoimunes.
  • Identifique as soft skills importantes na sua esfera de atuação e deixe que aflorem. Destaco entre essas competências e habilidades a criatividade — e a importância do repouso para que ela aflore. Se o seu trabalho requer essa soft skill, pense em como a busca de referências e até um certo grau de procrastinação podem ser úteis para trazer insights. Só não esqueça que resolver problemas também requer criatividade, ou seja, é importante para todas as áreas.
  • Pratique atividades prazerosas. No coaching para executivos, uma das tarefas importantes é a brincadeira. Fazer atividades que não tenham utilidade evidente para o trabalho em si. E, claro, tem uma importância enorme para a mente praticar atividades físicas!
  • Afaste-se do celular. Principalmente na hora de dormir, criando um saudável ritual antes de deitar na cama.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.

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