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7 conselhos de experts para liderar, render e ser mais feliz no trabalho

Bru Fioreti

12/12/2018 04h00

Cuidar das emoções, dos relacionamentos e até do tempo que passa no celular: sua felicidade no trabalho é problema seu (FOTO: PEXELS)

Você pode ter pensado: se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia.

Bem, os deste post aqui foram de fato vendidos em um treinamento intensivo de três dias, o POEX — Positive Experience –, promovido pela Sociedade Brasileira de Coaching para mais de 600 pessoas interessadas em Psicologia Positiva, a chamada ciência da felicidade. Sua diferença para os pitacos que vemos por aí é que esses conselhos têm base científica e foram testados na prática por experts em alta performance e felicidade — aliás, dois fatores intimamente ligados.

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Pesquisa do Instituto Gallup mostrou que corporações com equipes altamente engajadas são em média 20% mais lucrativas e produtivas que as demais. Outro estudo demonstrou que profissionais engajados e satisfeitos com seus trabalhos são em média 2,5 vezes mais propensos a ter alta performance que os menos motivados e podem aumentar em até 30% o desempenho das organizações.

Ou seja, a felicidade é um bom negócio para empregados e empregadores.

Por isso, das dicas dadas durante as palestras, separei as que considero mais certeiras para a esfera profissional. E, não, você não precisa esperar janeiro chegar para aplicar o que vai ler aqui! O pensamento que permeia todos é: sua vida e sua carreira estão nas suas mãos, e todo dia é dia de cuidar deles.

Foram conceitos transmitidos nos talks dos CEOs da SBCoaching, Flora Victoria (primeira mestre em Psicologia Positiva Aplicada do Brasil formada pela Universidade da Pensilvânia, berço desse campo de estudos) e Villela da Matta (primeiro master coach do País, focado em business), além do famoso professor da aula mais concorrida de Harvard, Tal Ben-Shahar, psicólogo, filósofo e um dos maiores experts mundiais no assunto — mais conhecido como o Dr. Felicidade.

1) Pare de subestimar as pequenas mudanças

O primeiro conselho vai para você que já estava pensando em deixar as tarefas importantes para o ano que vem. As grandes transformações só acontecem se forem feitas em etapas, continuamente. "Não mude seu destino, mude suas escolhas", repete Villela da Matta. "Mudar é uma decisão, uma escolha que começa hoje. Se precisa mudar algo na sua vida pessoal ou na sua carreira, tome decisões diferentes."

Dezenas de clientes executivos atendidos depois, ele não tem dúvida de que o maior entrave ao crescimento profissional é a "incompetência adquirida", crença comum de que os problemas são insuperáveis. Aquele desânimo diante das adversidade, retratado em frases como "não vou conseguir" ou "isso não é para mim".

Identifica-se? Mude sua postura que a realidade começa a mudar, ainda que paulatinamente.

Esse "mudar a postura" tem a ver com o exercício de fomentar mais emoções positivas no dia a dia. Segundo a Teoria Broaden-and-Build, desenvolvida pela respeitada acadêmica Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte, o cultivo de emoções positivas, como gratidão e alegria, funciona como um depósito de longo prazo. Ele forma um conjunto de recursos emocionais que podem ser acionados em diferentes situações da vida, para tomada de decisões, procura de soluções criativas e aumento da eficácia.

2) Seja flexível para se fortalecer no mercado

"O mais adaptável é o que se perpetua", diz Villela, emulando Charles Darwin. No meio corporativo, o empresário explica, é preciso se melhorar constantemente e se adaptar às mudanças de mercado e às constantes crises para continuar relevante.

Na prática, é sobre o exercício de não se apegar a ideias antiquadas só porque acreditou nelas até então e abraçar as mudanças de cenário, exercitando a resiliência — termo emprestado da Química para simbolizar a capacidade de se recompor o mais rápido possível e voltar ao eixo depois de momentos de muita pressão.

3) Aumente a produtividade desenvolvendo paz de espírito

Parece que o termo paz de espírito não combina muito com carreira, né? Engano. Pense nele como sinônimo de saúde mental ou emocional, viver com menos sofrimento, mais equilíbrio. Ter o mínimo possível de pensamentos e emoções negativas, que nos tirem do estado "normal".

É uma constante busca, algo que depende de vários fatores, mas que pode, sim, ser conscientemente cultivado.

Para a Psicologia Positiva, priorizar os relacionamentos é a chave-mestra da felicidade. Existe um porquê embasado por uma longa e famosa pesquisa, conduzida pelo psiquiatra Robert Waldinger. Os estudiosos acompanharam 700 jovens de 1938 até o fim de suas vidas. A conclusão mais marcante foi a de que as pessoas mais satisfeitas com seus relacionamentos eram as que apresentavam melhor saúde mental e física ao longo da vida.  

Como o bem-estar se estende ao campo profissional? Ora, se os relacionamentos vão bem, normalmente você consegue ter um desempenho profissional melhor. Pense naquele dia em que brigou feio com alguém da família ou levou um fora. Foi bem difícil se concentrar no trabalho, certo?

Pois é bem assim, a paz de espírito eleva a performance porque permite que você execute as tarefas com mais eficiência e de forma criativa. Para isso, é preciso haver uma decisão consciente de equilibrar as esferas financeira, da saúde física, dos relacionamentos profissionais, amorosos e familiares etc.

 4) Repense onde trabalha, não quanto trabalha

Tal Ben-Shahar tem inúmeros negócios e uma agenda insana de palestras mundo afora, mas diz que consegue conciliar tudo por seguir uma máxima: "trabalhe duro onde for fácil trabalhar".

Traduzindo para a nossa vida, é sobre observar o que de fato anda exaurindo você. Muitas vezes achamos que estamos sobrecarregados de tarefas ou na profissão errada, mas estamos é nos associando a pessoas nocivas ou colaborando com empresas com propósitos diferentes dos nossos. Sem contar as chefias grosseiras, a falta de desafios…

Vale repensar o seu momento profissional com foco no "onde trabalho" ou "para quem contribuo".

Se a empresa ou os projetos estiverem alinhados com o que você quer, o dia a dia muito vai paracer mais fácil, mesmo se for lotado de tarefas. Não sou eu quem diz, é um dos maiores experts em felicidade do mundo.

5) Aprenda a liderar a partir do que vive em casa

Um dos pontos comuns aos três experts citados neste post é dar muita importância aos relacionamentos pessoais. Eles consideram as relações, principalmente as mais íntimas, essenciais para aprender e desenvolver habilidades de liderança, principalmente a de resolver problemas e conflitos o mais rápido possível.

Mas há outras. No papel de líder, assim como na esfera privada, as competências de negociação, persuasão, comprometimento e persistência são essenciais. Além, é claro, de dominar o pensamento, ser mais estratégica e menos impulsiva.

Cada problema que surge no relacionamento, segundo essa lógica, seria um treinamento para desenvolver a autoconfiança. Mais ou menos assim: você tem uma questão para resolver e, em vez de se lamentar ou de ceder ao medo, reúne forças para enfrentá-la. Daí sai um resultado que alimenta sua confiança para enfrentar os desafios de novo e de novo.

6) Afaste-se do celular durante as tarefas mais difíceis

Você não vai ficar totalmente offline, até porque para uma boa parte das pessoas o smartphone se tornou instrumento fundamental de comunicação e trabalho. Mas deveria diminuir o tempo que passa diante dele. Segundo o professor Tal Ben-Shahar, o vício em telas é um dos mais proeminentes no mundo atual, para adultos e crianças.

"Pense num alcoólico. Ele não vai se curar tendo sempre à mão uma garrafa de bebida. Em qualquer vício, você precisa estar longe do gatilho que provoca a fissura", diz o expert. "Use o celular com moderação, se necessário acionando aplicativos que medem quanto tempo você gasta online. Chegou em casa? Deixe-o no cômodo em que não está. No trabalho, basta guardá-lo na bolsa enquanto se concentra."

7) Turbine a felicidade com atividades que mesclem prazer e desafio

A escolha das atividades influencia diretamente no nível de felicidade — na prática você já sabe isso. Mas com o avanço dos estudos da química cerebral, vieram comprovações.

A pesquisadora Loretta Breuning, professora da Universidade Estadual da Califórnia, trouxe nome e sobrenome para o contentamento ou desânimo gerado com cada tarefa. Mais especificamente, escreveu sobre como acionar cada membro do quarteto fantástico da felicidade: endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina — neurotransmissores que trazem não apenas sensações passageiras de bem-estar, mas ajudam a prevenir doenças, como estresse, males do coração, ansiedade…

A serotonina é a estrela , e ela vem da sensação de confiança. O "como fazer", segundo Flora Victoria, tem a ver com o engajamento em comportamentos positivos, provenientes, no caso do trabalho, da dedicação a projetos alinhados com suas habilidades e competências, que tragam prazer e algum grau de desafio. 

"A descoberta recente é que esse engajamento em comportamentos positivos é capaz de gerar novos circuitos neurais, que em vez de levar nosso cérebro a buscar gratificações imediatas a todo custo (as dopaminas), leva-o a se orientar a conquistas mais realizadoras e duradouras (as serotoninas)", explica Flora. Ou seja, você se sente feliz no trabalho e na vida, e por mais tempo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.