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Brigando até no trabalho nessas eleições? 7 passos para aprender a dialogar

Bru Fioreti

10/10/2018 04h00

Concordamos em discordar: pode ser essa a sua premissa para iniciar um diálogo, inclusive político, com colegas de trabalho (FOTO: PEXELS)

A dificuldade de dialogar tem sido uma das reclamações mais ouvidas em tempos de polarização política. Xingamentos, rompimentos entre amigos e parentes, brigas que terminam em acusações, quase todos temos passado por isso em alguma esfera. Mas e quando o debate chega à esfera profissional? Será que não seria justamente esse o campo ideal para treinar uma comunicação mais produtiva e respeitosa?
Do ponto de vista do coaching de carreira e da manutenção da diplomacia e da imagem profissional, sim. As eleições passam, os colegas ficam, com tudo o que foi dito nessa fase.
Por isso, pensando em menos discussão inflamada e mais comunicação efetiva — seja apenas para dialogar ou para tentar convencer o outro do seu posicionamento –, separei aqui o que pode ser encarado como uma espécie de passo a passo, ou um conjunto de dicas e técnicas de comunicação, para se comunicar melhor, com menos truculência e mais respeito. Isso vale para qualquer lado da moeda, para o campo profissional ou não.
Com a ressalva necessária de que é importantíssimo observar a política da sua empresa sobre o tema, dentro e fora das redes sociais e no ambiente profissional.
E, se você não concorda com meu ponto de vista de que a comunicação é importante, vamos direto para o primeiro tópico — concordamos em discordar.

1) Estabeleça um acordo prévio

O acordo prévio é como se fosse um contrato entre as partes, que em tempos de eleições ou de quaisquer outras discordâncias graves, pode e deve ser explicitado. O acordo mais produtivo para estabelecer uma boa comunicação é o que costumo resumir na frase "concordamos em discordar". Sem essa premissa, a conversa já acaba antes de começar. A aceitação do diferente é a base da comunicação efetiva.
Apesar de estudos demonstrarem que tendemos a nos aproximar e nos afeiçoar por quem consideramos parecidos conosco — isso vale para o físico e estende-se ao ideológico –, podemos nos considerar evoluídos o suficiente para avançar a partir desse acordo de respeito mútuo à discordância.
Ah, claro, ambos precisam "assinar" esse acordo, que pode ser proposto por você.

2) Privilegie o diálogo ao vivo

Cada um dialoga como quer, porém o diálogo pressupõe troca; um fala, o outro ouve e assim por diante. Ao vivo é mais fácil que essa conversa flua. Além do que a comunicação olho no olho tende a ser mais respeitosa do que quando as pessoas estão "escondidas" por trás de uma tela. O anonimato pode fomentar ódios — vide os "haters" nas redes sociais.
É mais fácil falar verdades (as suas verdades, mesmo inconvenientes) quando não está ao vivo. A gente se enche de coragem e pode não medir as consequências e o tom.
Some-se a isso o fato de que o nível de interpretação de texto é muito variável de pessoa para pessoa, então por escrito as chances de ser mal compreendido aumentam. O que era uma pergunta genuína pode parecer uma afronta, e o contrato inicial de paz se quebra rapidamente.
Pense ainda que cada um de nós tem um sistema de crenças que funciona como uma espécie de filtro para a realidade, inclusive para o que o outro diz. Você diz A, a pessoa entende B. Ao vivo, com calma e com respeito, o A tem mais chances de ser entendido como A.

3) Treine a empatia

A palavra do momento tem a ver com se colocar no lugar do outro, o que aumenta as possibilidade de compreender — e não necessariamente concordar — com seu ponto de vista. Só com isso, há mais chances de estabelecer uma conversa rica e com oferecer argumentos mais palatáveis para o interlocutor.
A empatia, portanto, é não somente bela de se postar, mas estratégica.
Comece a treinar a empatia lendo textos de pessoas cuja história ou opinião prévia você já conheça. Pense nas razões que levaram aquela pessoa a pensar daquela forma, ainda que seja um esforço tremendo para você. A tentativa por si só treina seus "músculos empáticos" e o torna mais propenso a dialogar.

4) Pratique a escuta ativa

 Já falei dela aqui antes. Basicamente se trata de genuinamente ouvir o que o outro diz, em vez de interrompê-lo ou de já maquinar  incessantemente na sua mente a resposta a tudo o que é dito. É a prática da empatia aplicada ao diálogo. Você ouve, tenta entender, faz perguntas interessadas.

Claro que a escuta ativa em tempos de cenário político acirrado pressupõe certo grau de inteligência e controle emocional. Se for seu caso, faça isso nem que seja como experimento. O próprio ato de ouvir respeitosamente tende a aumentar as chances de o outro fazer o mesmo, mimetizar seu comportamento e ouvir você também.

Lembrando que, ao ouvir ativamente, você também entende melhor o sistema de crenças e a argumentação do outro e consegue contra-argumentar com mais propriedade.

5) Utilize a técnica do rapport

Se você está lendo e pensando que vivo no mundo da Lua e que as discussões atuais estão alguns níveis abaixo dessa finesse comunicativa, OK. A argumentação alheia pode ser o que para você parece um acumulado de frases de efeito ou propagação de fake news, mas isso não lhe impede de avançar na tentativa de comunicação eficaz.

Sabe como? Com as técnicas que proponho agora. A primeira delas é bem conhecida dos vendedores e chamada de rapport — a apropriação proposital de frases, termos, gestos e até argumentos usados pelo interlocutor para se comunicar melhor com ele. Quando imitamos o comportamento de alguém, a pessoa tende a simpatizar conosco e se abre ao que dizemos. É uma ferramenta de sedução, de persuasão.

Com essa técnica, você consegue falar o mesmo idioma do outro, ainda que apenas para aquela ocasião, e aumenta suas chances de estabelecer um diálogo.

6) Uso de argumentos de autoridade

Emprestei esse passo das técnicas de texto jornalístico (sou jornalista, além de coach). Sabe quando você está lendo uma reportagem e aparece um especialista falando sobre o tema, entre aspas? Isso é feito como um argumento de autoridade: a autoridade, a referência naquele assunto, é chamada a dar sua opinião para ratificar uma tese ou contrariá-la, trazendo mais credibilidade para o texto. Isso se aplica a reportagens de todos os meios de comunicação.
Você usa esse argumento quando compartilha texto ou vídeo de algum especialista no Facebook. E pode trazer a técnica para seu diálogo ao vivo. Citar textos e especialistas que corroborem sua opinião. Ainda melhor, resgatar até os que a contrariem, trazendo seus contra-argumentos e demonstrando que sabe conversar.
E, não sei se preciso dizer, mas tome cuidado com as fakes news, que se reproduzem em progressão geométrica em períodos eleitorais. Desconfie de textos compartilhados em grupos de WhatsApp, não use memes e frases prontas como argumentos de autoridade, especialmente com colegas de trabalho. Pense na palavra credibilidade nas fontes de informação como norte para aumentar o nível do debate.

7) Estimule a troca de referências

Se chegou até aqui e sentir que há abertura para a troca de ideias com colegas e amigos, pode ainda propor a troca de textos, referências, artigos que fomentem uma discussão saudável. Em vez de se indispor, dialogar e fazer um intercâmbio de referências, preferencialmente para serem debatidas ao vivo, respeitosamente e fora do ambiente de trabalho.
Na empresa, é trabalho. No happy hour, é conversa. Con-ver-sa.

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.