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Bru Fioreti

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5 lições dos políticos para você se vender melhor na carreira

Bru Fioreti

07/08/2018 05h00

A corrida presidencial começou oficialmente e talvez você não esteja exatamente radiante com isso. Falsas promessas, alianças oportunistas, corrupção, tudo isso pode ter deixado você cética ou cético em relação à política nacional. Compreensível! Mas e se a gente tapasse o nariz para o ranço eleitoral por alguns minutos e pudesse absorver algo de bom dos políticos para nossa vida profissional?

Talvez aí nos lembrássemos da esfera de atuação chamada marketing político — que virou sinônimo de mentira e roubalheira para muita gente –, porém que, em sua essência, é apenas a aplicação do marketing à esfera política. Apartidária, sem caixa dois, teórica e como técnica para ajudar VOCÊ a "se vender melhor": é dela que quero falar na coluna de hoje.

Consegue abstrair sua raiva da política para apreender algumas técnicas de marketing?

Talvez você já tenha se perguntado como alguns candidatos conseguem se vender tão bem em poucas falas ou como decoram tantos números para citar nos debates. Pois tudo isso tem técnica — e eu, jornalista e coach, sei algumas delas porque também sou pós-graduada Marketing Político pela USP.

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Imagine se você conseguisse ter um décimo desse poder de convencimento na próxima entrevista de emprego, ou um pouco desse preparo para uma reunião com chefias ou investidores…

Reunir o máximo de dados e treinar as respostas para perguntas difíceis: tente a técnica dos políticos para se sair bem na apresentação (FOTO: PEXELS)

Vamos a algumas práticas que podem migrar dos palanques para sua vida — tudo às claras e dentro da lei.

1 – Preparar-se para momentos e perguntas difíceis

Uma das técnicas mais utilizadas para preparar os candidatos para debates e entrevistas é o "ensaio". Ou seja, a equipe de marketing e comunicação dos candidatos levanta números, além dos pontos fracos dele e das polêmicas do momento e o prepara para responder a todo tipo de pergunta, ensaiando até que ele consiga dar uma resposta segura e satisfatória de acordo com a orientação dada. Não tem improviso!

É claro que você provavelmente não tem um time para levantar suas fraquezas, muito menos fazer esse treinamento — conhecido como media training quando é feito para lidar com jornalistas –, mas você pode adaptar a ideia para diminuir a insegurança em situações desconfortáveis ou desafiadoras. Pense em entrevista de emprego, reuniões com a diretoria, apresentação de projetos e até encontros na vida pessoal.

Basta levantar os possíveis questionamentos que lhe soam difíceis ou embaraçosos e treinar uma resposta diante do espelho ou com uma pessoa de confiança. A chance de você gaguejar na resposta na hora H diminui muito! 

O mesmo vale para quem tem dificuldade de falar em público, ok? Treinar o discurso, a palestra ou apresentação em voz alta, em pé, nem que seja com uma plateia de uma só pessoa ajuda a melhorar a capacidade de comunicação e discurso, baixar a inseguranças e controlar a ansiedade.

Os políticos escrevem (ou têm alguém que escreve) seus discursos e então treinam até que se sintam confortáveis com eles, alterando trechos e adaptando o que for preciso para que não falhem ao vivo. Essas pequenas adaptações fazem com que as frases fluam melhor, e o treino ajuda a pessoa a se familiarizar com as informações e se apropriar daquele discurso, de forma a proferi-lo mais naturalmente.

Outra técnica bem comum na política que pode lhe servir: direcionar a resposta para o tema que entende, aquela coisa meio "sabonete". Claro que não responder ao que foi perguntado pode irritar seu interlocutor. Mas, dependendo da situação, é possível redirecionar o assunto a seu favor, assim: em vez de se demorar tentando responder o que não sabe, dizer que vai procurar aquela resposta, mas que, em compensação, tem esta, esta e esta informações para compartilhar.

2 – Estudar a concorrência

Pode reparar como os políticos sabem tudo sobre seus oponentes, especialmente seus pontos fracos — o que, convenhamos, nem sempre é usado da maneira mais bela e publicável.

Cá para nossos objetivos, essa prática de estudar a concorrência tem uma aplicação mais saudável do que a troca de acusações em reportagens e debates.

Colher informações sobre os concorrentes — ou seus pares, se assim preferir — é uma prática interessante para se sobressair e se preparar melhor, sabendo que habilidades eles estão desenvolvendo, por exemplo.

O que as pessoas que fazem o mesmo que você ou disputam as mesmas posições numa empresa estão estudando? Que cursos fizeram? Que informações estão buscando? O que elas não estão olhando e que você pode olhar?

Também é possível observar o que fazem de bom que tem gerado resultados positivos para elas. Na prática do coaching, essa pergunta se conecta com a técnica de modelagem, que equivale a observar modelos de profissionais bem-sucedidos para captar atalhos e se apropriar de práticas comprovadamente bem-sucedidas, em vez de ficar na tentativa e erro, que pode tomar tempo e energia desnecessários.

3 – Cuidar do que transmite com a própria imagem

A cor do casaco, o uso de gravata ou só de camisa, o penteado mais ou menos imponente e engomado, uma manga cuidadosamente arregaçada até os cotovelos… Detalhes comunicam, e os marketeiros são especialistas nisso. A imagem dos candidatos é cuidadosamente pensada na grande maioria dos casos.

Mesmo os que parecem não se importar com isso provavelmente o fazem propositadamente — ou seja, podem querer transmitir uma imagem de pouca preocupação em se adequar ao jogo político ou de se manter fiel às suas raízes. Pode observar, é interessante.

Trazendo a ideia para sua realidade, "off política", já pensou na imagem que gostaria de transmitir? Já tentou trazer à consciência o que a forma como se veste, fala e se porta vem comunicando? Principalmente no que concerne à primeira impressão, essa reflexão faz bastante diferença.

Usar uma peça de alfaiataria ou a chamada "terceira peça" (um colete, um casaco…), seja você mulher ou homem, costuma transmitir uma imagem mais profissional, eis um exemplo clássico usado por consultores de imagem. 

Ninguém está dizendo que você precisa se encaixar em padrões para conseguir o que quer. Até porque os padrões são variáveis de acordo com as áreas e cada vez mais empresas têm tomado consciência do conceito de times de alta performance — que, via de regra, são aqueles que contêm mais diversidade, sabia?

Apenas pense que sua imagem passa uma mensagem e tente trazê-la à consciência para "ler" com mais clareza as reações das pessoas a você no campo profissional e usar isso a seu favor. Estilo é uma ferramenta, aplique-a se achar conveniente.

4 – Usar jargões ou frases que criem uma marca pessoal

Você pensa em um político e logo a frase que mais fala pipoca na cabeça. O uso de jingles e jargões na política não se popularizou à toa. Tudo o que essas figuras querem é ser lembradas, especialmente na hora do voto. Seu número, sua frase de efeito (que pode responder a alguma angústia da população ou simplesmente se encaixar bem em diversas situações cotidianas) e até uma musiquinha que "grude" na mente têm a função preciosa de direcionar o voto sem grande reflexão. Além disso, podem ser usadas como argumentos pró-candidato, já que são feitas para invadir a mente sem dificuldade.

O que há de interessante em ter frases e jargões associados a você é a construção de uma marca pessoal forte, que faz com que seja lembrado com mais facilidade quando não estiver presente.

A isso chamamos de "branding pessoal", uma prática antiquíssima na política mas que há algumas décadas vem se mostrando útil para profissionais de outras áreas. Em tempos de crise, um bom posicionamento ajuda a vender seus produtos e serviços, traz credibilidade e faz você se destacar da concorrência, dentro e fora das empresas.

Claro que você não precisa sair disparando frases de efeito, muito menos criar seu próprio jingle. Mas ter um posicionamento claro na esfera profissional pode ajudar na construção de uma imagem marcante e impulsionar sua carreira. Pense naquelas pessoas que não têm medo de dar opinião numa reunião importante, que não ficam em cima do muro ou que ficam conhecidas por características pessoais, como o humor, o carisma ou a boa liderança. É dessa lógica que estamos falando.

O alerta é para o revés de construir um posicionamento marcante: ele faz com que fique em evidência e, consequentemente, deixa você mais vulnerável a ataques e erros — assim como acontece com os candidatos.

Quer se destacar? A sugestão é escolher uma mensagem clara, que tenha a ver com o que você realmente acredita, e defendê-a, sem desrespeitar os demais nem querer impor seu ponto de vista. Afinal, sua carreira dura mais que uma campanha, e as relações continuam anos a fio.

5 – Fazer alianças

No sistema político, as alianças acontecem por uma série de interesses e são feitas e desfeitas ao sabor dos ventos eleitorais. Ainda assim, são necessárias. É por meio delas que políticos conseguem ter aliados que agreguem credibilidade ou números, a depender da coalisão em questão. É o unir forças que, no campo eleitoral, às vezes vira um tiro no pé, mas que também garante vitórias.

Uma boa lição do que são as alianças em qualquer cenário. Alianças bem feitas são aquelas que, em primeiro lugar, agregam algo a ambas as partes. Todos devem sair ganhando com essa associação. Mas as alianças também são mais bem-sucedidas quando não são meramente oportunistas.

Veja quantas críticas os candidatos recebem quando se aliam a outros que criticaram "só" para ter mais tempo de TV ou seduzir novos eleitoras. O mesmo vale aqui fora: em geral, vemos com maus olhos "amizades arranjadas", de ocasião. Fica evidente quando alguém está puxando saco ou se aproximando do outro momentaneamente.

Então, qual seria a melhor maneira de lidar com alianças profissionais? Preferencialmente, construindo alianças duradouras. Um erro comum sobre networking é reduzi-lo a troca de cartões e parcerias pontuais. O networking real envolve criar conexões mais longas. Você não precisa ser íntimo, só precisa criar uma relação que dure mais do que uma indicação superficial. Assim, a contribuição mútua e legítima vai se perpetuando.

Outro aspecto referente ao tema alianças: perceba se você não está se isolando, o oposto de querer agradar a todos o tempo todo. Pense nas alianças que pode estar desperdiçando com uma postura egoísta, medrosa ou rabugenta.

Uma carreira se constrói com outras pessoas, mesmo que seja indiretamente. Serviços prestados, contatos com os quais você ajudou alguém ou foi ajudado, ex-chefes com os quais manteve boas relações, empresas antigas que gostem de você. O popular "não fechar portas" tem o seu valor, dentro e fora da política.

 

 

 

 

Sobre a autora

Bruna Fioreti é coach de vida e carreira, jornalista e consultora de branding pessoal e conteúdo. Ministra cursos e palestras sobre carreira, estilo, produtividade e temas femininos pelo Brasil - expertise desenvolvida em cinco anos como redatora-chefe da revista Glamour. Com MBA em Coaching em curso e seu projeto Manual de Você, realiza dezenas de atendimentos individuais e dissemina o conceito de #autocoaching nas redes sociais.

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre carreira, com foco nas mulheres que buscam satisfação, foco, produtividade e aprimoramento da imagem profissional. Um espaço para falar das tendências da área, que vai te ajudar a atingir a melhor performance da empresa chamada VOCÊ.